O Esporte Espetacular de domingo, 17 de julho, trouxe uma reportagem minha sobre a entrada de Gustavo Kuerten para o Hall da Fama do tênis. Ele é o segundo brasileiro a receber a mais alta honra do esporte, fora das quadras. A primeira foi Maria Esther Bueno. A cidade de Newport, em Rhode Island, parou para receber o brasileiro, três vezes vencedor do Aberto da França e 1o do mundo por 43 semanas. Quem, como eu, acompanhou a carreira do nosso maior tenista, certamente se lembra de muitos momentos históricos. O coração no saibro, a primeira final de Roland Garros, a vovó Olga, o irmão, Guilherme.
Tantos anos depois da aposentadoria, Guga segue como sempre. Com o astral altíssimo, apaixonado pelo tênis, acreditando que pode ajudar a melhorar o Brasil. Mesm longe dad quadras, ele segue nos inspirando.
Para ver a reportagem, clique aqui ou na foto acima.
Mila veste Caché / Mila is wearing Caché (www.cache.com)
Brasileiros morando nos Estados Unidos sabem que uma das maiores dificuldades é aceitar a ausência do futebol em nossas vidas. Na última Copa do Mundo, estávamos fazendo o Planeta Brasil na estrada. Rodando o país, percebemos que ninguém dava a mínima para o evento. Ver os jogos era uma epopeia. E sempre acabávamos em pubs, onde ingleses e irlandeses dividiam conosco a orfandade, a saudade, a paixão.
Com o tempo, a gente acaba se aventurando nos esportes dos americanos. Aprendemos as regras do baseball, escolhemos um time de futebol americano, nos adaptamos (ou, pelo menos, tentamos) à violência do hockey. Mas aqui em casa, basquete rules.
Acompanhamos todos os jogos da NBA este ano e, apesar da minha tendência a torcer para os underdogs (o Vitória Futebol Clube, ou Vitorinha é o meu clube de coração), este ano virei Miami Heat desde criancinha. Não por causa de Miami. Por causa de LeBron.
Injustiçado pela boca grande e o talento ainda maior, LeBron corria o risco de virar mais um pecho frío, o Messi do basquete. Um jogador incrível, mas que não entra para a história por não ter o título mais importante de seu esporte. Se tantos dizem que Messi afrouxa com a seleção Argentina, o mesmo acontecia com LeBron, quando chegavam os playoffs. Aí, o rei acabou virando o meu underdog.
Com a vitória assegurada, LeBron virou LeBron. A minutos do fim do jogo, o gigante de 2,03m comemorava como uma criança. Nada daquelas caras feias, de raiva, que a gente tanto vê em jogadores mais preocupados com o penteado que com a marcação. LeBron ria, pulava, abraçava longamente os adversários. Era o moleque no quintal de casa, o estudante do ensino médio, o violinista.
Graças a ele, hoje estamos órfãos novamente. Com saudades. Apaixonados. Mas pela NBA. Ainda bem que existe a Euro Copa.
Sabe aqueles momentos em que você se sente um nada no mundo? Rejeitado por tudo e por todos? Talvez com poucos amigos, sem emprego, recém-separado do amor da sua vida? Se não quiser dar uma de Poliana, uma dica. Pense em Jeremy Lin.
A nova estrela do New York Knicks surgiu do nada. Ao se formar na high school, apesar de somar estatísticas impressionantes, não conseguiu bolsa como atleta em nenhuma universidade. Nenhuminha. Acabou indo para Harvard estudar economia, onde também não conseguiu bolsa, mas teria uma vaga no time. (Fico imaginando se ele já quitou o empréstimo que deve ter contraído para fazer uma das faculdades mais caras do país… Barack Obama só pagou o dele quando já era senador).
Depois de vários nãos, o pequeno asiático conquistou o mundo. Tanto que China (onde o pai dele nasceu) e Taiwan (onde nasceu a mãe dele) brigam pela paternidade do moço. Foi chegando de mansinho, se aproveitando da ausência de Carmelo Anthony, contundido, e Amar’e Stoudenire, de licença por causa da morte do irmão. Virou o dono da bola. O armador, bem menor que os companheiros de equipe, lembra Ronaldinho Gaúcho em sua fase áurea: define quando é preciso (veja no vídeo abaixo o que ele fez contra os Raptors esta semana), mas também sabe ser generoso e deixar os companheiros na cara do gol. Tyson Chandler que o diga.
Anthony e Stoudenire recebem $18 millhões por ano cada, contra os $500 mil de Lin. Eram as estrelas da equipe, mas nunca causaram a febre que Lin vem causando. Em qualquer loja de esportes da cidade, é dele a camisa mais procurada. A mania ganhou até um nome: Linsanity.
Pelo que conta um artigo do NYT de ontem, Lin não teve uma educação à la tiger mom. Seus pais misturaram um pouco da cultura chinesa com um bocado da americana, comparecendo aos jogos e passando a mão na cabeça do filho a cada derrota. O pai gravava vídeos de outros atletas, para o moleque Lin imitar.
Lin representa mais que um profissional bem sucedido. É a ruptura de uma série de estigmas. É o asiático entre os gigantes afro-americanos da NBA; é o imigrante ensinando os donos da casa a jogar; é a cria de um chinês que rompeu com a tradição da rígida educação daquele país. E mais que tudo isso, Lin é uma lição para todos nós que, vez por outra, perdemos o namorado, o emprego, ou ouvimos que não somos bons o suficiente. Às vezes é só uma questão de esperar os últimos dois segundos, para cravar uma cesta de três pontos.