Chinatown deliciosa e nota A

teaparlor_pratosEncarar um mergulho na culinária de Chinatown é para poucos. Pessoas acostumadas a lugares bonitinhos, limpinhos, bacaninhas, tendem a desistir na primeira empreitada. O bairro é um aglomerado de ruas em que camelôs e senhoras se atropelam sem perdão. Nos restaurantes, é comum encontrar a inscrição “Grade Pending”, que aparece na porta das instituições que levaram um alerta da Vigilância Sanitária. Almas corajosas e insistentes, no entanto, são recompensadas.

Mas se você não tem paciência ou gosto por desafios, o Nom Wah Tea Parlor (13 Doyers Street) é um tiro certeiro. Em atividade desde 1920, o restaurante foi o primeiro a servir Dim Sum em Chinatown. O estilo permite que se escolha entre dezenas de comidinhas, uma espécie de tapas à moda chinesa. A berinjela recheada com camarão e a panqueca de cebolinha são imperdíveis. E tem, sim, uma pitadinha de aventura. O restaurante fica no chamado “Bloody Angle” (Ângulo Sangrento), que ganhou o apelido por causa dos frequentes assassinatos cometidos por gangues locais no início do século XX. Atualmente a rua é cheia de restaurantes e barbearias.

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Briga na justiça pela melhor pizza da cidade

As filas longas no novo endereço da Grimaldi’s (1 Front Street, Dumbo) mostram o sucesso das pizzas dessa instituição do Brooklyn. Mas escondem uma batalha de bastidores entre dois pizzaiolos.

Em 1998, Patsy Grimaldi vendeu para Frank Ciolli o seu restaurante, então localizado na 19 Old Fulton Street, onde servia apenas pizzas inteiras, assadas em forno a lenha. Durante algum tempo prestou consultoria a Ciolli, que teve de sair do endereço original em dezembro passado, porque teria deixado de pagar o aluguel meses seguidos.

Em 2011, depois de anos aposentado, Grimaldi resolveu voltar à ativa. Anunciou a abertura da Juliana’s, no mesmo endereço que o consagrou como um dos grandes pizzaiolos de Nova York. Ciolli resolveu processar Grimaldi, alegando que a pizzaria, a ser inaugurada até o fim do ano, vai roubar sua clientela.

A expectativa pelo retorno de Grimaldi é grande. Mesmo quem não liga para fofoca, mas é apaixonado por pizza está ansioso pela inauguração da Juliana’s. É comparar quem tem o melhor pedaço.

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Arroz doce diferente em Nolita

A sobremesa do momento é o arroz-doce. Não aquele que a vovó fazia. Em Nova York, até a tradicional guloseima ganha roupagem moderna. Além de sabores inusitados como arroz-doce de tiramisù ou de pasta de amendoim, o cliente pode escolher vários tipos de cobertura. Entre os mais pedidos estão “chocolate e nozes com abraço de urso”, “romance à moda antiga” e “coma de coco”. Bom humor e calorias de sobra são a receita do Rice to Riches (37 Spring Street, Nolita).

A porção é servida em tigelas coloridas de diversos tamanhos (o sumô, por exemplo, serve cinco pessoas). A loja é cheia de placas engraçadíssimas, com sugestões como “Pense com o estômago” e “Magras e poderosas não entram”. O lugar está sempre lotado, portanto a pedida é comer no parquinho em frente ou levar para casa. Eles aceitam encomendas pela internet.

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O melhor pão do mundo

Dizem que Eric Kayser faz o melhor pão do mundo. Agora, quem passar pelo Upper East Side pode conferir. Leia o meu texto publicado hoje, no blog do Ela Digital, do jornal O Globo:

Há quem diga que a demora foi fruto da rivalidade entre americanos e franceses. Mas pelo sorriso no rosto de Eric Kayser, deve haver outra explicação. O fato é que, antes tarde do que nunca, a Maison Kayser abriu sua primeira loja em Nova York. Já são mais de 80 em diversos países, fabricando o que muitos consideram o melhor pão do mundo.

A nova loja, no Upper East Side (1294 3rd Avenue), foi inaugurada em agosto e as filas seguem longas desde então. O lugar também serve sanduíches, refeições pequenas, sobremesas e café, claro. Kayser trouxe a máquina de lactofermentação desenvolvida por ele, que permite a fabricação das famosas baguetes sem o uso de fermento comercial.

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Vai uma cerveja? Ou 700?

Leia o meu texto publicado hoje, no blog do Ela Digital, do jornal O Globo:

Não faz nem um ano que a City Swiggers abriu sua loja no Upper East Side, mas o lugar já se tornou a meca dos apaixonados por cerveja. São mais de 700 marcas e uma semana nunca é igual a outra. O cardápio varia de acordo com a estação. A chegada do outono promete sabores mais intensos. As opções “summer ale”, especiais para a estação mais quente do ano, serão abolidas até o ano que vem.

Até entre as marcas brasileiras há surpresas. Nada das tradicionais loiras dos bares do Rio. As marcas disponíveis são Palma Louca e Xingu. O lugar também tem um “tasting room” em que os clientes podem experimentar diversos tipos de cerveja in loco. Toda quarta-feira fabricantes da bebida fazem eventos no local. Hoje, entre 17h00 e 21h00, a Magic Hat leva quatro sabores diferentes, entre eles o seu I.P.A (Indian Pale Ale).

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Nova Orleans em pleno Queens

Leia o meu texto publicado hoje, no blog do Ela Digital, do jornal O Globo:

A culinária e a vida noturna são instituições de Nova Orleans. Tanto que, depois da passagem do furacão Isaac, os bares e restaurantes da cidade reabriram antes mesmo de a energia elétrica voltar. À luz de velas.

O lema da cidade, “Laissez les bons temps rouler” (em tradução livre, “Deixe os bons tempos dominarem”), é levado a sério no Sugar Freak, no Queens (36-18 30th Avenue, Astoria). A comida é bem pesada, como manda a tradição. No cardápio, ostras fritas, jambalaya (mistura de arroz, frango, salsicha e temperos), gumbo (uma sopa com um pouco de tudo), muffuletta (sanduíche recheado com mortadela, salame, queijo e azeitonas) e outros pratos raros fora da Louisiana. Há, ainda, coquetéis típicos e variados tipos de cerveja Abita, orgulho entre cajuns e creoles.

Nem os banheiros escapam. Dois aparelhos de som pendurados por fitas de pano repetem antigos Dixielands.

Depois do jantar vale a pena passear pela vizinhança. Quando o assunto é gastronomia, Astoria é um dos melhores bairros de Nova York.

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Drinks de absinto no Brooklyn

Leia o meu texto publicado hoje, no blog do Ela Digital, do jornal O Globo:

Por quase um século, o absinto foi apontado como uma bebida maldita, proibida em vários países, inclusive nos Estados Unidos. Por aqui, o banimento foi suspenso somente em 2007, quando a “fada verde” voltou a reinar. No Brooklyn, a Maison Premiere (298 Bedford Avenue) oferece um cardápio com 27 variedades, além de drinks especiais, que misturam a bebida, cubos de açúcar e água gelada. O lugar tem, ainda, uma vasta seleção de ostras, que podem ser harmonizadas com o absinto.

Seja pela aura misteriosa, pela promessa afrodisíaca ou pelo alto teor alcoólico, o destilado angariou fãs famosos ao longo dos séculos. Entre eles, os escritores Arthur Rimbaud, Émile Zola e Oscar Wilde e os pintores Vincent van Gogh, Amedeo Modigliani e Pablo Picasso. Edgar Degas chegou a batizar um quadro com o nome do líquido de sabor anis.

A dose custa de $11 a $16 dólares. Há garrafas de vários países.

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Marcus Samuelsson: o queridinho de Obama

Já falei dele aqui no blog outras vezes. Hoje, publiquei um texto novo no blog do Ela Digital, do jornal O Globo:

Etíope, sueco, americano ou simplesmente “o cara”. Marcus Samuelsson não é apenas um dos “grandes chefs dos Estados Unidos”, como declarou o Culinary Institute of America. É a celebridade televisiva que derrotou 21 chefs na segunda temporada do programa Top Chef Masters; é o bem-sucedido homem de negócios, dono de sete restaurantes, de uma linha de chás e do site foodrepublic.com; é o autor de uma recém-lançada autobiografia. Como parte da turnê de divulgação, hoje Samuelsson participa de um evento às 18:30 no Tenement Museum, no Lower East Side (103 Orchard Street).

Não bastasse tudo isso, Samuelsson ainda é o queridinho do presidente norte-americano. Foi ele quem assinou o cardápio do primeiro jantar promovido por Barack Obama como chefe da nação. E foi no Red Rooster, o cobiçado restaurante do chef no Harlem, que Obama promoveu o primeiro evento da campanha pela reeleição. O menu com entrada, prato principal e sobremesa custava módicos US$40 mil.

No livro “Yes, chef”, Samuelsson mostra que sua história é ainda mais peculiar do que aparenta. Ele nasceu na Etiópia e, aos três anos, perdeu a mãe, vítima de tuberculose. Ele e a irmã foram adotados por um casal de suecos. Ainda menino, descobriu com a avó a paixão pela cozinha. Nunca mais saiu de lá. Depois de estudar na Suécia, Suíça e Áustria, ele se mudou para Nova York. Aos 24 anos, assumiu a cozinha do prestigioso Aquavit e se tornou o chef mais jovem da história a receber três estrelas do The New York Times.

Mas o que conquistou Barack Obama não foi nada disso. A grande paixão do presidente custa apenas $6. O “corn bread” do Red Rooster é o favorito do democrata. Servido no almoço e jantar desde que o restaurante foi fundado, ele ganhou uma nova companhia no cardápio. O “Yes, chef Prixe Fix Menu” custa U$45 e inclui salada de melancia com queijo de cabra, cordeiro com batatas, doughnuts de batata doce e um exemplar assinado do livro.

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No calor de Manhattan, um gosto de Escandinávia

Leia o meu texto publicado hoje, no blog do Ela Digital, do jornal O Globo:

Desde que o chef dinamarquês René Redzepi foi eleito o melhor do mundo pela revista Restaurant, os sabores da Escandinávia invadiram Nova York. Aproveitando a onda, Mads Refslund abriu o ACME em Manhattan. Não se deixe enganar pela placa do lado de fora. O lugar não faz comida do sul dos Estados Unidos, nem foi fundado em 1986. Apenas preservou o nome e o letreiro do antigo proprietário.

Com a tarimba de quem ajudou Redzepi a desenvolver o inventivo cardápio do Noma, Refslund desafia o paladar com pratos nada previsíveis. O Farmer’s Eggs mistura espuma de ovos, couve-flor e queijo parmesão. No Duck in a Jar, a carne de pato vem conservada com o gosto ardido do picles. Beer & bread porridge é uma sobremesa de mingau de pão, cerveja e sorvete de caramelo salgado. O jantar custa, em média, 80 dólares por pessoa. Caro, mas bem mais em conta que o Noma, em Copenhagen.

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Considerado por críticos gastronômicos “o restaurante mais excitante da cidade”, o ACME aceita reservas, mas é recomendável garantir a sua com pelo menos duas semanas de antecedência. Como o restaurante fica no NoHo, há quem aproveite os bares da vizinhança se a fila de espera estiver longa demais.

Ode à gelada

Da série “só mesmo em Nova York”: está em cartaz uma exposição sobre a história da cerveja na cidade. No final, dentro do museu mesmo, o visitante pode participar de uma degustação das bebidas que acabou de conhecer. O programão é no New York Historical Society, um museu fundado em 1804 que atualmente é um dos mais modernos – e divertidos – do pedaço. Se for, guarde um tempinho para o vídeo (incluído no ingresso) exibido em telões high tech e narrando uma breve história da melhor cidade do mundo.

A exibição fica até o dia 02 de setembro e traz desde informações sobre a colheita do lúpulo até as estratégias usadas pelos novaiorquinos para burlar a lei seca. Aliás, eu deveria ter feito um post sobre Prohibition, o ótimo documentário de Ken Burns sobre o período, que está disponível no Netflix. Enquanto isso, lá no fim do post tem um pedacinho do segundo espisódio.

Voltando ao museu, os curadores reuniram objetos usados na produção da bebida, jingles de algumas das primeiras marcas (em um deles, o locutor pergunta a Nat King Cole qual a marca que ele está bebendo) e até o vestido da dona de uma das cervejarias. Não é nada grandioso, mas é um belo programa para uma tarde quente de verão. E, claro, vale um brinde no final, para comemorar o privilégio de viver em uma cidade assim.