O mês da cultura negra no Apollo

apolloBerço da música negra, no coração do Harlem, o Apollo Theater (253 W 125th Street) celebra o Black History Month até o fim deste mês. Para isso, está programada uma série de eventos. A festa começa hoje, às 22h00, com o show de Rebecca Naomi Jones no Apollo Music Café. Ela preparou um repertório com os sucessos de seu pai, Eddie Jones, do The Cadillacs.

Nos dias 09 e 10, o Apollo abre as portas para os vistantes. É o Open House Weekend, quando se pode ver de perto – e de graça – o palco onde Michael Jackson, Ella Fitzgerald e James Brown estouraram.

Para completar, há a estreia de uma nova produção, “Apollo Club Harlem”. O espetáculo acontece nos dias 18, 22 e 23, sempre às 20h30. Trata-se de um retorno aos anos 1930 e 40, com números de dança e música. Em vez das poltronas fixas tradicionais, a plateia será ocupada por mesas e cadeiras, para que o público embarque no espírito dos clubes noturnos da época.

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Hi + Low

 

 

 

Na correria de escrever todos os dias algo novo no meu blog do Ela Digital, faz tempo que não posto nada original para este blog aqui. Tá certo, as coisas de lá eu escreveria cá. Mas hoje, vendo um filme bacana, me deu vontade de unir esses dois lares.

“The Queen of Versailles” é um daqueles filmes em que é difícil apontar qual o maior mérito do documentarista: a sorte ou o talento. Lauren Greenfield começou a registrar a saga da família Siegel quando David e Jackie construíam “a maior casa da América”. Uma aberração milionária em Orlando, FL, imitando o Palácio de Versailles, mas com sushibar, barbearia e academia (será que Luis XIV malhava?). No meio das gravações, vem a sorte. Em 2008, com a crise do mercado imobiliário, Siegel se vê mais quebrado que arroz de quinta. Logo ele que se orgulhava de dizer ter sido o grande responsável pela vitória de Bush.

Greenfield capta a derrocada da família. E isso já seria um belo roteiro. Mas eis que entra o talento. Em vez de uma edição óbvia, em que a o ridículo daquela turma brota a olhos vistos, ela opta pelo respeito. Alterna momentos de ternura a “semnoçãozice”. Torna os sentimentos do espectador angustiantemente misturados. É claro que, depois, tudo volta ao devido lugar. Basta dar um google e descobrir que David Siegel se recupera e, de volta à pose de patrão, envia um email coletivo aos seus funcionários pedindo que eles votem em Ronmney.

Mas eu disse que misturaria as duas coisas. Coincidência ou não, o post de hoje no Nova York – Ela Digital foi um belo contraponto a “The Queen of Versailles”. Trata-se de um projeto que leva música a uma das áreas mais pobres da cidade.

Inspirados pelo venezuelano El Sistema, que oferece aulas de música para crianças em comunidades de risco, um grupo de nova-iorquinos implantou o UpBeat NYC, no sul do Bronx. Os instrumentos e as aulas são gratuitos e carregam a ideia de que a música pode mudar vidas. Pelo menos para os moradores desta região, isso já está acontecendo.

Uma das áreas mais violentas da cidade agora tem uma orquestra com 36 integrantes. Hoje as crianças apresentam seu primeiro concerto, às 19h00, no Betances Community Center (547 East 146th Street, The Bronx). É uma ótima oportunidade para conhecer o borough menos turístico da cidade. E quem sabe descobrir um Gustavo Dudamel antes de ele virar ídolo.

 

Alanis Morissette fala de novo CD e maternidade

Leia o meu texto publicado hoje, no blog do Ela Digital, do jornal O Globo:

Era difícil dizer se quem lotava o auditório do 92nd Street Y ontem, no Upper East Side, ia a uma palestra ou um culto. Gargalhadas, choro e declarações como “Sua música salvou minha vida” deram o tom ao evento de divulgação do novo álbum de Alanis Morissette, “Havoc and Bright Lights”.

“O disco mistura todas as influências que já tive. Bob Dylan, Etta James, Aretha Franklin, hip hop e dance music”, disse a canadense durante a palestra. O primeiro single, “Guardian”, é uma homenagem ao filho, Ever. “Acho muito perigosa a ideia de que é preciso sofrer para compor. É necessário sentir paixão, isso sim. Seja ela em forma de carinho ou raiva.”

O oitavo álbum trouxe, ainda, uma relação mais serena com o público. “No começo, tinha dificuldade de receber a energia. Me entregava, mas, se a plateia vibrasse, tinha vontade de me esconder atrás da bateria. Tatuei um tigre no braço pensando em me proteger. Hoje isso é bem mais tranquilo para mim. Estar no palco é um privilégio. Posso expor todos os meus sentimentos, gritar, me sacudir, sem que ninguém ache estranho.”

A depressão que afastou Alanis das turnês ficou mesmo para trás. Relaxada e sorridente, a cantora declarou ter enfrentado inúmeros “momentos suicidas” e admitiu ter pedido ajuda muito tarde. Entre os maiores sofrimentos, ela apontou a produção do disco “Jagged Little Pill” e a mudança do Canadá para Los Angeles, na mesma época. “Nova York tem uma coisa que ajuda muito a vencer isso. É um senso de comunidade que faz parte do dia a dia.”

Vegetariana e engajada em causas ambientais, Alanis agora se dedica a outra batalha. “O maior ativismo que conheço é ser uma boa mãe. Acho que é o máximo que se pode fazer para construir um futuro melhor”. O nascimento de Ever, em dezembro de 2010, revelou à cantora novas prioridades. “Muita coisa mudou. Meu trabalho me acompanha. Mas o casamento – monogâmico e cheio de comprometimento – e meu filho estão em primeiro lugar. Ah, e depois da maternidade também descobri o café. Uma maravilha”, brincou Alanis.

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Sem Michael, com Bird

A má notícia do fim de semana é que o evento Brooklyn loves Michael Jackson, que aconteceria no domingo no Prospect Park, foi cancelado. Sabe-se lá por que Spike Lee, o organizador da homenagem, desistiu de cantar parabéns pelos 52 anos que o astro pop completaria na data.

A boa notícia é que continua de pé e cheio de ótimas atrações o Festival que celebra a obra de Charlie Parker. Foi minha dica de hoje no blog do Ela Digital:

Apesar de ter nascido no Kansas, foi em Nova York que Charlie Parker viveu os grandes momentos de sua carreira. Ele se mudou para a cidade em 1939, aos 19 anos. A ideia era tocar saxofone, claro. Mas para se sustentar ele fez vários bicos, inclusive lavando pratos em restaurantes. A fama como músico se solidificou em boates do Harlem, como a Clark Monroe’s Uptown House e o Minton’s Playhouse, dois redutos do bebop.

No mesmo bairro, sexta e sábado, haverá shows de graça no Marcus Garvey Park. Amanhã, a partir das 19h00, a homenagem ao músico, sob o comando do compositor Miguel Atwood-Ferguson, vai relembrar o disco “Charlie Parker with Strings”. No sábado, a festa começa mais cedo, às 15h00. Roy Haynes recebe a cantora Rene Marie.

O Festival Charlie Parker tem vários outros eventos, como workshops, palestras e apresentações teatrais. Para ver a programação completa do evento, que completa 20 anos neste verão, clique aqui.

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A NY dos anos 1920 em pleno 2012

Leia o meu texto publicado hoje, no blog do Ela Digital, do jornal O Globo:

Hoje é 18 de agosto de 2012? Não em Governors Island. Lá, pelo menos por um fim de semana, estamos em 1920. O Jazz Age Lawn leva centenas de pessoas vestidas com trajes da época de Zelda e F. Scott Fitzgerald. Flappers pegam a balsa e passeiam pelos gramados da ilha como se o crack da Bolsa de Valores em 29 estivesse longe, longe… Apesar de Wall Street estar logo ali, do outro lado do East River.

Michael Arenella e sua Dreamland Orchestra tocam sucessos da era do jazz entre as 11:00 e 17:00. Haverá, ainda, partidas de beisebol com equipamentos e uniformes dos anos 1920. Os ingressos para a área reservada dos eventos custam US$15. A balsa que vai de Manhattan para Governors Island é gratuita. Os interessados podem vestir roupas comuns. Mas saibam que vão se sentir peixes fora d’água. A maioria mergulha no túnel do tempo.

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Tango no Parque

Leia o meu texto publicado hoje, no blog do Ela Digital, do jornal O Globo:

Os concertos gratuitos no Central Park são uma tradição do verão nova-iorquino. Há 107 anos a Naumburg Bandshell, uma concha acústica no coração do parque, recebe grandes nomes da música clássica – e um público fiel. É só chegar, ocupar um dos mil assentos disponíveis (ou levar de casa a sua cadeirinha) e aproveitar. Há quem prefira ficar de pé e dançar, como deve acontecer no espetáculo de hoje, às 19h30.

A homenagem aos 25 anos do concerto que Astor Piazzolla fez neste mesmo espaço promete reunir uma multidão de apaixonados por tango. Foi em Nova York que o compositor argentino desenvolveu o seu amor pela música. Piazzolla mudou-se com os pais para o Greenwhich Village, em Manhattan, quando tinha apenas quatro anos. Aqui o pai dele comprou, em uma loja de penhoras, o que seria o primeiro bandoneón do menino. Em 1932, morando na Little Italy, Piazzolla compôs o seu primeiro tango, La Catinga. Dois anos depois, conheceu Carlos Gardel, que o convidou para fazer uma turnê pelo continente americano. O pai de Piazzolla proibiu o menino de ir, salvando-o do pior: enquanto viajava para um dos shows, Gardel morreu em um acidente de avião.

O pianista Pablo Ziegler comanda a homenagem desta noite que terá, ainda, Lara St. John no violino, Héctor Del Curto no bandoneón, Claudio Ragazzi na guitarra e Andrew Roitstein no baixo acústico. No programa, clássicos do compositor argentino como Adios Nonino e Fuga y Misterio.

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Pilobolus volta a NY com novos malabarismos

Leia o meu texto publicado hoje, no blog do Ela Digital, do jornal O Globo:

Quase todo ano, desde que foi fundado em 1971, o grupo de dança Pilobolus faz uma temporada de um mês em Nova York. Quase sempre no Joyce Theater, no Chelsea. Mas nem as constantes visitas são capazes de preparar o público para tantas estripulias. Durante o espetáculo, há espaço para gargalhadas, suspiros, sustos. A temporada vai até dia 11 de agosto e restam poucos ingressos.

Desta vez o grupo preparou dois programas diferentes, cada um com uma coreografia inédita. As novidades são fruto da parceria com o malabarista Michael Moschen e a coreógrafa Trish Sie. Ainda assim, os dançarinos conservam o espírito original do grupo: divertir e desafiar os limites do corpo.

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Evento para a criançada!

Nesses três anos e meio (como o tempo passa rápido, socorro!) em que venho acompanhando de perto a realidade dos brasileiros que vivem aqui nos Estados Unidos, uma das coisas que mais me chamaram a atenção foi a dificuldade que os pais tinham de ensinar o português aos pequenos. Principalmente em lares em que um dos pais é brasileiro e o outro americano. Nas minhas andanças pelo país, só encontrei um colégio, na Flórida, com aulas regulares do nosso idioma. Por isso ao conhecer a Felicia Jennings-Winterle e o Brasil em Mente me entusiasmei de imediato.

Felicia é formada em musicologia e é uma dessas pessoas cativantes, por quem você passa a torcer de primeira. Ela fundou a instituição, conseguiu o apoio de um monte de gente bacana, inclusive do consulado brasileiro, e montou uma biblioteca na sede. Além dos eventos que promove lá, ela organiza colônias de férias, ensina português e música para as crianças. Um barato.

Neste domingo a biblioteca completa um ano e tenho o maior prazer em participar dessa festa. Vou ler algumas historinhas para os brasileirinhos entre as 3 e 5 da tarde. Haverá muitas outras atrações, portanto se você têm filhos, netos, sobrinhos, afilhados, filhos dos amigos, leve a turma para lá!

A Brasil em mente fica no endereço 2 W 47th st Ste 507, New York, NY, 10036. O telefone é (347) 893 9634.

Happy Subway Easter!

A melhor coisa de viver em Nova York é ter o mundo inteiro no espaço de uma ilha. Hoje, domingo de páscoa, bem que pensei em ir a uma das igrejas da vizinhança. Não consegui, mas vi as ruas cheias de gente saindo delas. Não é que à noite, voltando para casa de metrô, a igreja veio até nós? Pelo menos o coral do Harlem estava lá. Ninguém pediu dinheiro, nada. Era só mesmo para celebrar. Viva NY. Boa páscoa a todos!