Museu de graça. Pode?

metropolitanNem todo mundo sabe, mas vários museus de Nova York oferecem a chamada “suggested donation” ou “pay-what-you-wish”. Isso significa que, em vez do preço do ingresso exibido na entrada da instituição, o visitante pode pagar quanto quiser. Vinte dólares… Dez… Alguns centavos…

É o caso do Museu de História Natural e do Metropolitan Museum of Art. O último está sendo processado, acusado de não deixar tal política clara o suficiente.

O diretor do Met publicou uma mensagem no site da instituição dizendo que a regra existe há mais de 40 anos e é, sim, conhecida do público. Ele afirmou que é claro que deseja que os visitantes paguem o máximo possível, já que o museu se sustenta com doações. Mas lembrou que todos são igualmente bem-vindos, não importa quanto desembolsem pelo ingresso.

Post publicado originalmente no Ela Digital. Clique aqui para ver mais notícias de Nova York.

Hi + Low

 

 

 

Na correria de escrever todos os dias algo novo no meu blog do Ela Digital, faz tempo que não posto nada original para este blog aqui. Tá certo, as coisas de lá eu escreveria cá. Mas hoje, vendo um filme bacana, me deu vontade de unir esses dois lares.

“The Queen of Versailles” é um daqueles filmes em que é difícil apontar qual o maior mérito do documentarista: a sorte ou o talento. Lauren Greenfield começou a registrar a saga da família Siegel quando David e Jackie construíam “a maior casa da América”. Uma aberração milionária em Orlando, FL, imitando o Palácio de Versailles, mas com sushibar, barbearia e academia (será que Luis XIV malhava?). No meio das gravações, vem a sorte. Em 2008, com a crise do mercado imobiliário, Siegel se vê mais quebrado que arroz de quinta. Logo ele que se orgulhava de dizer ter sido o grande responsável pela vitória de Bush.

Greenfield capta a derrocada da família. E isso já seria um belo roteiro. Mas eis que entra o talento. Em vez de uma edição óbvia, em que a o ridículo daquela turma brota a olhos vistos, ela opta pelo respeito. Alterna momentos de ternura a “semnoçãozice”. Torna os sentimentos do espectador angustiantemente misturados. É claro que, depois, tudo volta ao devido lugar. Basta dar um google e descobrir que David Siegel se recupera e, de volta à pose de patrão, envia um email coletivo aos seus funcionários pedindo que eles votem em Ronmney.

Mas eu disse que misturaria as duas coisas. Coincidência ou não, o post de hoje no Nova York – Ela Digital foi um belo contraponto a “The Queen of Versailles”. Trata-se de um projeto que leva música a uma das áreas mais pobres da cidade.

Inspirados pelo venezuelano El Sistema, que oferece aulas de música para crianças em comunidades de risco, um grupo de nova-iorquinos implantou o UpBeat NYC, no sul do Bronx. Os instrumentos e as aulas são gratuitos e carregam a ideia de que a música pode mudar vidas. Pelo menos para os moradores desta região, isso já está acontecendo.

Uma das áreas mais violentas da cidade agora tem uma orquestra com 36 integrantes. Hoje as crianças apresentam seu primeiro concerto, às 19h00, no Betances Community Center (547 East 146th Street, The Bronx). É uma ótima oportunidade para conhecer o borough menos turístico da cidade. E quem sabe descobrir um Gustavo Dudamel antes de ele virar ídolo.

 

De volta à coroa de Lady Liberty

A Estátua da Liberdade completa hoje 126 anos e, para comemorar, abre os braços aos visitantes. Ou melhor, a coroa. Fechada para uma reforma milionária desde 2011, essa parte do monumento ganhou um elevador (para que cadeirantes não sejam impedidos de subir por causa dos 300 degraus), sistema de controle de temperatura e equipamento de segurança contra incêndios.

Algumas partes de Lady Liberty ainda estão em obras. A coroa, no entanto, está pronta. São 25 janelas de onde se tem uma vista deslumbrante da cidade. Para visitar, é preciso fazer reserva com antecedência. Os ingressos custam entre US$ 9 e US$ 17.

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Cristóvão Colombo ganha apartamento em NY

Era impossível saber como Cristóvão Colombo via Nova York do alto de seus 23 metros, em pleno Columbus Circle. Os prédios do entorno, como o Time Warner Center e o Museu do Design, davam pistas, mas havia um ângulo restrito ao olhar do descobridor das Américas. Havia. Agora os visitantes de “Discovering Columbus”, a nova instalação do japonês Tatzu Nishi, já podem bradar: “Terra à vista”.

As descobertas não param por aí. Apesar de ter sido inaugurada em 1892, a obra do italiano Gaetano Russo exibia-se longe demais dos olhos dos nova-iorquinos. Agora pode ser vista em detalhes. Ela fica no centro de uma sala, construída pelo artista plástico e acessada por cinco lances de escada de metal. Tem televisão, estante de livros, quadros, papel de parede rosa com imagens da cidade e vista panorâmica para o Central Park. A construção é um convite a questionamentos sobre a diferenciação entre público e privado no mundo da arte. A enorme estátua muda quando vista dentro daquele espaço reduzido e fechado.

A instalação fica aberta ao público até 18 de novembro. A visitação é gratuita, mas requer um ingresso. Para fazer a reserva basta entrar no site do Public Art Fund.

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Churchill na Morgan Library

Uma dica bem rapidinha… até porque a exposição só vai até domingo! “Churchill: The Power of Words”, na Morgan Library, ocupa uma pequena sala mas vale por algumas aulas história. Documentos narram a trajetória do líder britânico desde a infância. Uma cabine exibe 21 minutos de discursos célebres, que confirmam a palavra como a grande arma de Churchill (ele, aliás, ganhou um Prêmio Nobel de Literatura).

Como a exposição é rapidinha, aproveite para fazer uma passeio pela bela Morgan Library. Eu não conhecia e fiquei impressionada com os mosaicos nos tetos, as salas chiquérrimas e a coleção de livros, que incluiu três Bílblias de Gutenberg. Hoje, um violinista e uma flautista tocavam no átrio ao lado do restaurante. Programão.

Passeio de barco com os olhos nos arranha-céus

Mesmo para quem mora em Manhattan e sabe de cor todos os prédios do skyline mais famoso do mundo, os passeios de barco organizados pelo American Institute of Architects são surpreendentes. Microfone em mãos, arquitetos profissionais contam a história de mais de 150 construções. Os barcos saem do Chelsea Piers e dão uma volta completa na ilha. São quase 3 horas e mais de 50 km no balanço do rio.

É uma boa pedida para moradores, turistas de longa data e apaixonados por arquitetura em geral.

Os passeios custam $75 e costumam acontecer às segundas, terças e domingos, às 2 da tarde. Mas a demanda é tanta que há muitas datas extras. Clique aqui para ver o calendário completo.

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Nova Orleans em pleno Queens

Leia o meu texto publicado hoje, no blog do Ela Digital, do jornal O Globo:

A culinária e a vida noturna são instituições de Nova Orleans. Tanto que, depois da passagem do furacão Isaac, os bares e restaurantes da cidade reabriram antes mesmo de a energia elétrica voltar. À luz de velas.

O lema da cidade, “Laissez les bons temps rouler” (em tradução livre, “Deixe os bons tempos dominarem”), é levado a sério no Sugar Freak, no Queens (36-18 30th Avenue, Astoria). A comida é bem pesada, como manda a tradição. No cardápio, ostras fritas, jambalaya (mistura de arroz, frango, salsicha e temperos), gumbo (uma sopa com um pouco de tudo), muffuletta (sanduíche recheado com mortadela, salame, queijo e azeitonas) e outros pratos raros fora da Louisiana. Há, ainda, coquetéis típicos e variados tipos de cerveja Abita, orgulho entre cajuns e creoles.

Nem os banheiros escapam. Dois aparelhos de som pendurados por fitas de pano repetem antigos Dixielands.

Depois do jantar vale a pena passear pela vizinhança. Quando o assunto é gastronomia, Astoria é um dos melhores bairros de Nova York.

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Alemã transforma MetroCard em obra de arte

Leia o meu texto publicado hoje, no blog do Ela Digital, do jornal O Globo:

O MetroCard é o fiel companheiro dos nova-iorquinos. Do prefeito Michael Bloomberg ao contribuinte mais comum, todos têm o seu cartão, que dá acesso ao metrô e aos ônibus da cidade. Ele já foi imortalizado em camisetas, em ímãs de geladeira e em uma canção do grupo Le Tigre.

Mais de dez anos atrás, Nina Bosch, uma alemã radicada em Nova York, passou a usar os cartões descartados como matéria-prima de suas obras. Até o dia 31 de agosto, a galeria The Bean, no East Village (54 2nd Avenue), exibe a série de colagens da artista. Ela costuma dizer que trata-se de uma arte reciclável, que ajuda a deixar mais limpas as estações de metrô da cidade. “O que para muitos é apenas um MetroCard velho, vencido, para mim é um desejado material artístico.”

O resultado é uma homenagem a ícones da cidade. Os táxis amarelos, o Museu Guggenheim, Woody Allen e, claro, o próprio MetroCard!

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Drinks de absinto no Brooklyn

Leia o meu texto publicado hoje, no blog do Ela Digital, do jornal O Globo:

Por quase um século, o absinto foi apontado como uma bebida maldita, proibida em vários países, inclusive nos Estados Unidos. Por aqui, o banimento foi suspenso somente em 2007, quando a “fada verde” voltou a reinar. No Brooklyn, a Maison Premiere (298 Bedford Avenue) oferece um cardápio com 27 variedades, além de drinks especiais, que misturam a bebida, cubos de açúcar e água gelada. O lugar tem, ainda, uma vasta seleção de ostras, que podem ser harmonizadas com o absinto.

Seja pela aura misteriosa, pela promessa afrodisíaca ou pelo alto teor alcoólico, o destilado angariou fãs famosos ao longo dos séculos. Entre eles, os escritores Arthur Rimbaud, Émile Zola e Oscar Wilde e os pintores Vincent van Gogh, Amedeo Modigliani e Pablo Picasso. Edgar Degas chegou a batizar um quadro com o nome do líquido de sabor anis.

A dose custa de $11 a $16 dólares. Há garrafas de vários países.

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Sem Michael, com Bird

A má notícia do fim de semana é que o evento Brooklyn loves Michael Jackson, que aconteceria no domingo no Prospect Park, foi cancelado. Sabe-se lá por que Spike Lee, o organizador da homenagem, desistiu de cantar parabéns pelos 52 anos que o astro pop completaria na data.

A boa notícia é que continua de pé e cheio de ótimas atrações o Festival que celebra a obra de Charlie Parker. Foi minha dica de hoje no blog do Ela Digital:

Apesar de ter nascido no Kansas, foi em Nova York que Charlie Parker viveu os grandes momentos de sua carreira. Ele se mudou para a cidade em 1939, aos 19 anos. A ideia era tocar saxofone, claro. Mas para se sustentar ele fez vários bicos, inclusive lavando pratos em restaurantes. A fama como músico se solidificou em boates do Harlem, como a Clark Monroe’s Uptown House e o Minton’s Playhouse, dois redutos do bebop.

No mesmo bairro, sexta e sábado, haverá shows de graça no Marcus Garvey Park. Amanhã, a partir das 19h00, a homenagem ao músico, sob o comando do compositor Miguel Atwood-Ferguson, vai relembrar o disco “Charlie Parker with Strings”. No sábado, a festa começa mais cedo, às 15h00. Roy Haynes recebe a cantora Rene Marie.

O Festival Charlie Parker tem vários outros eventos, como workshops, palestras e apresentações teatrais. Para ver a programação completa do evento, que completa 20 anos neste verão, clique aqui.

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