Pé Sujo em NY: Margon

Depois do post sobre o Grade Pending, me deu vontade de falar de uma das instituições universais mais caras à minha pessoinha: o pé-sujo. Sim, eu adoro. E, sim, ele é universal. Brasileiros que pensam que os sujinhos são coisa nossa estão muito enganados. E Nova York tem alguns dos melhores. Com uma vantagem: aqui eles são especializados. Tem pé-sujo vietnamita, cambojano, mexicano, japonês, francês. Por isso resolvi fazer desta a semana do pé sujo aqui no blog. Todo dia, até sexta-feira, vou postar sobre um dos meus cinco sujinhos favoritos. Começo pela comida cubana.

O Margon é uma ótima pedida porque fica em plena Times Square, no meio daquela confusão de madames com sacolas e turistas incendiários. Ele é imundinho mesmo. Tem que topar o desafio. E não há nada de cool naquele corredor sem fim a não ser a Janny, uma atendente que jura ser vegetariana apesar de passar o dia entre coxas de frango e rabadas (servidas às segundas e sextas). Para nós, vegetarianos, o jeito é contar com ela. Janny prepara um sanduba com picles de cebola que é um espetáculo (custa $4,00). E claro, tem mandioca, arroz, feijão e banana frita. É o mais perto que se pode chegar de um pé-sujo carioca.

Para os carnívoros, a boa é o sanduíche cubano, que leva carne de porco, presunto, molho tártaro e uma fatia de peperoni. Se você pedir o combo, que inclui, além do sanduíche, um prato de arroz e feijão, vai gastar $9,00.

O Margon fica na 136 W 46th Street, entre a 6th e a 7th Ave. Só abre para café da manhã e almoço. Para acompanhar, sugiro um passeio pela New York Public Library (aquela dos “Caça-Fantasmas”, lembra? Não? No vídeo abaixo tem uma paródia meio boba, mas onde dá para ver o lugar com mais clareza que no filme original), pelo Bryant Park (tente encontrar a estátua de José Bonifácio de Andrada e Silva e fique de olho no American Radiator Building, um edifício preto e dourado, construído na década de 20, um dos mais lindos da cidade) e pelo International Center of Photography.

Juro que a comida é deliciosa. Para completar, o ambiente é impagável. É uma viagem à Rua Uruguaiana, no Rio de Janeiro, onde se vêem engravatados e peruas de pé no balcão, tomando caldo de cana e comendo pastel frito. Um luxo.

O melhor da semana

Tem muita coisa boa para fazer em Nova York. Todos os dias, em qualquer estação. Mas quando chega o verão, não dá para negar, a oferta é tão grande que a gente fica até confuso. Por isso, quando a sexta-feira vai se aproximando, costumo fazer uma listinha para controlar meu desespero. Divido com vocês a desta semana, com algumas das coisas mais legais para fazer por aqui. Fora o Tom Zé, todas as outras dicas são de graça! Não tem desculpa para ficar em casa.

Segunda: TropiChat, com o diretor de cinema brasieiro Cao Guimarães. Será às 6pm, no Americas Society (680 Park Avenue).

Terça: Tom Zé, no Lincoln Center. Às 8pm, no Alice Tully Hall.

Quarta: Ópera no Central Park. La Bohéme da New York Grand Opera, na concha acústica. De graça, às 7h30pm.

Quinta: Broadway in Bryant Park traz apresentações com atores de “The Addams Family”, “Billy Elliot”, “Memphis” e “Rock of Ages”. Às 12h30.

Sexta: Henry V no Battery Park. Começa às 7pm e é parte do River to River Festival, que tem várias outras coisas bacanas.

Durante toda a semana: Premiere Brazil! 2001, no Moma. Seleção de filmes brasileiros já tradicional na Big Apple.

Até dia 31 de julho tem “The Seagull“, de Chekhov, no Riverside Park (w 89th Street na Riverside Drive).

Para esquentar, uma das minhas favoritas de Tom Zé num clipe simpático que achei no YouTube.