Se eu pudesse escolher um único livro para ler este ano, seria “O Museu da Inocência”. Mesmo sabendo que 2011 ainda está longe de acabar e muitas coisas incríveis podem aparecer nos próximos meses (principalmente quando se aproxima uma viagem ao Velho Continente), duvido que alguém consiga me presentear com tamanha beleza. Orhan Pamuk é um gênio.
Em suas 532 páginas que, juro, passam num instante, o livro nos guia por uma Istambul com cara de Constantinopla, ainda mais conservadora e bela. Passeamos por canções, filmes, paisagens, levados pelas coloridas e dolorosas palavras de Pamuk. Vivemos a história dos amores contrariados, com cheiro de amêndoas amargas. Sim, Pamuk me lembrou muito o meu favorito de Gabriel García Márquez, “O amor nos tempos do cólera”. O livro é tão sagrado para mim que nem tive coragem de ver a adaptação para o cinema. Não quero a casa de Juvenal Urbino retratada de um outro jeito que não seja o que minha cabeça ergueu. Nem Florentino Ariza com cara de Javier Bardem. Assim como, se houver uma adaptação de “O Museu da Inocência” jamais a verei.
O vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2006 narra a história de um amor obsessivo, intenso e, claro, impossível. Kemal está comprometido com Sibel, prestes a casar, quando reencontra Füsun, uma parente distante. Encantado, joga tudo para o alto em nome dessa paixão avassaladora. Vê sua vida de ponta cabeça. Dia após dia recolhe objetos que representem aquele sentimento. As roupas da amada, os frascos de perfume, os brincos, os cachorrinhos bubble head que decoravam a televisão da sala, os jogos da mesa de jantar. Tudo isso vfaria parte de um museu, na casa onde a família vivia. O livro fez tanto sucesso que o autor planeja abrir um museu, de verdade, em Istambul. Pelo que vi na internet, o espaço ainda não foi inaugurado.
Mais não conto para não estragar o final. Mas posso dizer que, não bastasse a história tão possível quanto fantasiosa, a obra é uma aula de literatura. Que venham “Snow” e “My name is Red”. Mas, honestamente, depois deste livro, acho que nem Pamuk consegue ser melhor que Pamuk.
Para se apaixonar de vez, uma conversa com o autor que encontrei no Youtube: