I do boroughs

Uma das maiores mudanças de vida para quem mora é Nova York acontece quando você começa a visitar os outros boroughs da cidade. São cinco: Bronx, Queens, Brooklyn, Staten Island e Manhattan, mas a gente tende a ficar apenas no último, e perde a diversidade dos demais. Entendo quem tem preguiça, afinal, já tem tanta coisa por aqui, né? Mas boa parte do mundo se esconde nos restaurantes do Queens, nas padarias do Brooklyn, nas etnias do Bronx.

Para quem não sabe por onde começar, uma boa dica é seguir a programação de verão pela cidade. A foto ao lado e o vídeo abaixo mostram o recital da Metropolitan Opera realizado na última terça, de graça, no Socrates Park, no Queens. Layla Claire e Ryan Speedo Green cantam a ária La ci darem la mano, de Don Giovanni. A vista do lugar é linda e há arte em todos os cantos do largo gramado. No momento, o lugar recebe parte da bienal de arte latina, que também está no Museo del Barío (farei um post sobre ela logo, logo). Não é tão bem cuidado quanto os parques da ilha, mas tem uma vista linda e atrações que mudam ao longo do ano.

De lá, sugiro seguir para um jantar ou almoço no melhor grego da cidade, o Taverna Kyklades, no Ditmars Blvd. Um ônibus te leva direto do parque até lá. Se você lembra de Samantha Jones, nas primeiras temporadas de Sex and City dizendo “I don’t do boroughs”, saiba que a bobona perdeu muito. God Save the Queens!

Soto e o nosso olhar

Poucas coisas são tão mágicas quanto a emoção que uma obra de arte provoca. No caso do meu encontro com a obra de Jesus Rafael Soto, esse sentimento foi uma mistura de arrepio, alegria e tontura. As linhas retas e os arames dançantes de Soto expandiram os limites da minha realidade. Quando saí da exposição, as ruas de Nova York tremulavam, as pessoas ganharam cores. E eu ria. Porque a felicidade de descobrir que o mundo é maior e você é menor do que pensava é impagável.

Queria mostrar aqui o que Soto provoca no nosso olhar.  Como ele mesmo diz, são trabalhos de criação coletiva, entre ele e quem vê. Depende de você, tanto quanto dele, a transformação da arte. Fotos dificilmente conseguem chegar perto do que é uma obra ao vivo. Neste caso, não dá nem pra começar. Por isso fiz um vídeo, que talvez dê uma ideia mais próxima do que acontece na sua mente e no seu coração vendo aquela explosão de informações.

E como era um dia de movimento, resolvemos ficar no tema e, de lá, seguimos para a também bela exposição de Willem de Kooning, na Pace Gallery. No caminho, passamos pelo carrinho de comida Grega que fica na esquina da 51st Street com a Park Ave. Tudo baratinho e feito com carinho pela mãe do Frank, o simpático rapaz que nos atende. Não tem erro. É este carrinho azul, bonitinho, com o nome de Uncle Gussy’s. Para quem tem medo de caminhão (eu adoro), eles tem um restaurante com o mesmo nome em Astoria, aberto desde 1971. Vale conferir.