Sai África do Sul, entra Brasil no Moma

No último post falávamos em África do Sul. Coincidência ou não, fui ao Moma ver a instalação de um artista brasileiro e acabei descobrindo que era o último dia de uma exposição que eu queria vez há tempos: Impressions from South Africa, 1965 to Now. Me sinto péssima de postar isso quando Inês é morta e a exposição não está mais em cartaz. Mas tem o catálogo e o google, que podem ajudar a ter uma ideia do que eu vi.

A questão política de que falava o filme “Skin”, do post de ontem, aparece em cada um dos trabalhos. São obras feitas durante o período do Apartheid, que retratam a violência policial, a desigualdade, a intolerância. Pude rever alguns artistas que tinha descoberto em Atlanta, no High Museum, ano passado. Até então, William Kentridge era um desconhecido para mim. Poucas coisas são tão mágicas quanto decobrir um novo artista e se apaixonar. No Moma, foi como um segundo encontro depois de um bem sucedido first date. As duas exposições traziam trabalhos feitos em papel. A do High Museum, “Transitions: Contemporary South African works on paper”, tinha uma obra enorme do Kentridge, daquelas de tirar o fôlego pelo resto do dia.

 

 

Mesmo sem essa belíssima exposição, visitar o Moma sempre vale a pena. Principalmente quando se tem a oportunidade de prestigiar o trabalho de um brasileiro. A obra de Carlito Carvalhosa, Sum of Days, fica no museu até 14 de novembro. Ela traz uma pertubadora interação com o tempo. A gente é levado a caminhar por dentro de um organismo de tecido branco, cheio de caixas de som penduradas, cada uma com um barulho diferente (inclusive microfonias). Os sons que saem dali foram gravados em diferentes momentos. Quando mais antigo o barulho, mais nublado ele fica. Vale a pena ficar atento ao calendário do Moma (pelo twitter @MuseumModernArt), porque de vez enquando artistas fazem performances dentro da instalação. Além de Philip Glass, Lisa Bielawa, David Crowell, Jon Gibson, Carla Kihlstedt, Michael Riesman, Mick Rossi, e Andrew Sterman se apresentam.