Globo Notícia Américas de 28 de agosto

Furacão, terremotos e tornados: o “Globo Notícia Américas” deste domingo vai falar sobre os desastres naturais nos EUA que já causaram mais de 35 bilhões de dólares em prejuízos. Nos outros telejornais da Rede Globo, você acompanha a cobertura completa do furacão Irene, enquanto nós mostraremos um balanço das catástrofes que fizeram de 2011 um dos anos mais problemáticos para os americanos. O programa comenta ainda a violência no México e os protestos no Chile. Confira mais destaques nos vídeos. O “Globo Notícia Américas” vai ao ar aos domingos às 19h30 (horário de Nova York).

Não quero ver Irene

Quando a gente vive longe de casa, tudo é motivo para comparações.

Vamos ao restaurante. O garçom te trata mal feito pica-pau. Basta para dizer que americano é estúpido e brasileiro é bacana. Mas se o troco vem certinho, também é o suficiente para acusarmos nossa pátria mãe de querer sempre levar a melhor e incensar a honestidade gringa.

Vamos ao banco. Não conseguimos pagar as contas de luz, tv a cabo, telefone. A caixa sequer entende do que estou falando. Aqui nos Estados Unidos, pagam-se boletos pela internet ou mandando um cheque pelo correio. Cheque? Pelo correio? Pois é. E se no Brasil há filas enormes, que obrigam o governo a estipular um tempo máximo para o atendimento bancário, aqui quase sempre as agências estão vazias.

Vamos ao metrô. Ele nos leva a qualquer lugar. No Brasil… Humpf! Em compensação, se encontram uma ratazana de 90cm passeando calmamente pela cidade, já apontamos nossos indicadores para a cidade mais suja do mundo.

Mas as discussões estremecem mesmo quando o assunto são o desastres naturais. É um tal de “pelo menos no Brasil não tem furacão” que vá dizer lá fora. Ficava danada da vida quando ouvia isso, mas acabo de me dar conta de que minha reação era porque vivo em Nova York. Aqui, sempre imaginei, estávamos a salvo. Até Irene ameaçar mostrar suas garras e todos os estereótipos e dificuldades de ser apátrida levantarem as manguinhas.

Irene deve chegar sem grandes perigos. Espero. Tudo indica que aqui será apenas uma forte tempestade. Só que o teto do meu quarto me apareceu com uma goteira que virou um buraco e – pasmem – a eficiência norte-americana não foi capaz de conter. No escritório do proprietário do apartamento, a secretária desligou o telefone na minha cara depois de sentenciar que só mandaria alguém para resolver o problema na segunda, quando Inês (ou Irene) é morta. “Temos outros 29 tetos com buracos, não vai dar tempo”. E blam com o telefone! Ligo para os bombeiros e tudo o que eles podem fazer é registrar uma reclamação contra o dono do apartamento, mas tapar o buraco que é bom, nada.

O jeito vai ser rezar para Irene chegar de bom humor, com Caetano Veloso entoando uma dança da não-chuva. E, pelo menos este fim de semana, dizer que bom mesmo é o Brasil, onde não há furacão e tem sempre um vizinho disposto a te ajudar a tapar a goteira.