Only when I dance

Faz quase um ano, em um jantar na casa de amigos queridos no Queens, alguém me disse que acabara de ver um filme maravilhoso no Netflix. “Me acabei de chorar”, meu amigo afirmou, sobre “Only when I dance“, que desde então segue instantâneo no Netflix. Ontem, depois do trabalho, segui para um happy hour com umas amigas. Na mesa, éramos seis: duas brasileiras, uma indiana, uma peruana, uma colombiana e uma americana. Não falamos de trabalho. Conversamos sobre os diferentes modos de preconceito que presenciamos nos nossos respectivos países de origem. Três de nós ainda moramos na Europa, então acabamos falando um pouco de cada canto do mundo. O preconceito religioso entre os franceses, o racial entre os americanos, o étnico entre os hispânicos. Para nós, brasileiros, restou a sensação de que amamos ser um melting pot, mas guardamos no fundo do peito um monte de sentimentos preconceituosos. Não sei bem qual a minha opinião sobre isso. Ela muda a cada dia. Às vezes acho que não somos nem mesmo um pouquinho racistas. Outras, acho que a meu pensamento anterior era uma bela hipocrisia.

O fato é que, chegando em casa, resolvi ve um filme. Na primeira página do Netflix, eis que aparece “Only when I dance”. Decidido.

O filme narra a história de um grupo de dançarinos de uma comunidade pobre do Rio de Janeiro. O destaque vai para as trajetórias de Isabela Alves e Irlan Silva, distintas no curso e no destino. Claro que, como meu amigo, “me acabei de chorar”. Apesar de não ser seu objetivo central, o filme traz à tona o debate que tivemos à mesa. Considerado pelo New York Times “um Billy Elliot da vida real”, é minha recomendação para quem gosta de dança, do Brasil, ou simplesmente, de pessoas.