Evento para a criançada!

Nesses três anos e meio (como o tempo passa rápido, socorro!) em que venho acompanhando de perto a realidade dos brasileiros que vivem aqui nos Estados Unidos, uma das coisas que mais me chamaram a atenção foi a dificuldade que os pais tinham de ensinar o português aos pequenos. Principalmente em lares em que um dos pais é brasileiro e o outro americano. Nas minhas andanças pelo país, só encontrei um colégio, na Flórida, com aulas regulares do nosso idioma. Por isso ao conhecer a Felicia Jennings-Winterle e o Brasil em Mente me entusiasmei de imediato.

Felicia é formada em musicologia e é uma dessas pessoas cativantes, por quem você passa a torcer de primeira. Ela fundou a instituição, conseguiu o apoio de um monte de gente bacana, inclusive do consulado brasileiro, e montou uma biblioteca na sede. Além dos eventos que promove lá, ela organiza colônias de férias, ensina português e música para as crianças. Um barato.

Neste domingo a biblioteca completa um ano e tenho o maior prazer em participar dessa festa. Vou ler algumas historinhas para os brasileirinhos entre as 3 e 5 da tarde. Haverá muitas outras atrações, portanto se você têm filhos, netos, sobrinhos, afilhados, filhos dos amigos, leve a turma para lá!

A Brasil em mente fica no endereço 2 W 47th st Ste 507, New York, NY, 10036. O telefone é (347) 893 9634.

O Museu da Inocência

Se eu pudesse escolher um único livro para ler este ano, seria “O Museu da Inocência”. Mesmo sabendo que 2011 ainda está longe de acabar e muitas coisas incríveis podem aparecer nos próximos meses (principalmente quando se aproxima uma viagem ao Velho Continente), duvido que alguém consiga me presentear com tamanha beleza. Orhan Pamuk é um gênio.

Em suas 532 páginas que, juro, passam num instante, o livro nos guia por uma Istambul com cara de Constantinopla, ainda mais conservadora e bela. Passeamos por canções, filmes, paisagens, levados pelas coloridas e dolorosas palavras de Pamuk. Vivemos a história dos amores contrariados, com cheiro de amêndoas amargas. Sim, Pamuk me lembrou muito o meu favorito de Gabriel García Márquez, “O amor nos tempos do cólera”. O livro é tão sagrado para mim que nem tive coragem de ver a adaptação para o cinema. Não quero a casa de Juvenal Urbino retratada de um outro jeito que não seja o que minha cabeça ergueu. Nem Florentino Ariza com cara de Javier Bardem. Assim como, se houver uma adaptação de “O Museu da Inocência” jamais a verei.

O vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2006 narra a história de um amor obsessivo, intenso e, claro, impossível. Kemal está comprometido com Sibel, prestes a casar, quando reencontra Füsun, uma parente distante. Encantado, joga tudo para o alto em nome dessa paixão avassaladora. Vê sua vida de ponta cabeça. Dia após dia recolhe objetos que representem aquele sentimento. As roupas da amada, os frascos de perfume, os brincos, os cachorrinhos bubble head que decoravam a televisão da sala, os jogos da mesa de jantar. Tudo isso vfaria parte de um museu, na casa onde a família vivia. O livro fez tanto sucesso que o autor planeja abrir um museu, de verdade, em Istambul. Pelo que vi na internet, o espaço ainda não foi inaugurado.

Mais não conto para não estragar o final. Mas posso dizer que, não bastasse a história tão possível quanto fantasiosa, a obra é uma aula de literatura. Que venham “Snow” e “My name is Red”. Mas, honestamente, depois deste livro, acho que nem Pamuk consegue ser melhor que Pamuk.

Para se apaixonar de vez, uma conversa com o autor que encontrei no Youtube: