Ontem um amigo postou no Facebook uma lista com 33 maneiras de se manter criativo. A primeira era: faça listas. Eu adoro. Não aquelas repletas de coisas já executadas. Gosto mesmo é de fazer listas de projetos. Lugares que quero visitar, amigos para quem preciso ligar, livros que quero ler… Minha agenda é uma imensidão de ideias e porfazeres. E essa última lista me tirou de vez a vergonha da mania estranha.
Pois eis que a Time Out desta semana nos presenteia com mais uma lista: os 100 melhores filmes de Nova York. Quem mora aqui certamente sabe do que eu estou falando. A gente entra numa obsessão louca para ver tudo o que já foi para as telonas tendo como cenário as paisagens daqui. Talvez seja uma tentativa de explicar por que a cidade nos é tão familiar, logo de cara. Talvez seja para justificar a sensação eterna de ser a pessoa mais sortuda do mundo apenas por viver nela. Ou simplesmente para brincar de descobrir que esquina no Upper West Side era aquela em que o Tom Hanks beijou a Meg Ryan. Sim, aposto que, como eu, você já se pegou tentando apontar onde fica o banco de “Manhattan” que dá vista para a Brooklyn Bridge. Ou em que rua da Little Italy acontece o tiroteio de “O Poderoso Chefão”.
Listar favoritos entre tantas maravilhas construídas nesta paisagem é difícil, será invariavelmente injusto, mas pode ser bem divertido. Eu fiquei feliz descobrindo, entre clássicos, alguns filmes que não vi. Ontem foi a vez de “Midnight Cowboy” (Jon Voight, Dustin Hoffman e… instantâneo no Netflix!). Só por ele, a lista já valeu a pena. E você? Qual o seu filme favorito rodado em Nova York? Vamos fazer mais uma lista?
Sabe aquelas horas em que tudo parece errado? Você tropeça na rua, derrama café no vestido branco e percebe que usou a página mais importante do jornal para forrar o banheirinho da gata? Tenho tantos, mas tantos dias assim que com alguma frequência sinto uma necessidade enorme de não pensar em nada. Pasolini? Truffaut?Bergman? Até Fellini é cabeção demais nessas horas. Quero mesmo ver Meg Ryan e Tom Hanks numa previsível comédia romântica, com aquele final lindo que a gente já imaginava desde o trailer. “O casamento de Muriel” tem tudo isso e, de quebra, uma trilha sonora irresistível. E o melhor: você pode dizer, sem medo, que adora o filme. Não é feito “Sleepless in Seattle”, que vão falar que é coisa de mulherzinha, ou “City of Angels” (vocês perceberam como eu amo a Meg Ryan). Todo mundo gosta e todo mundo gosta de gostar!