Deprê? Ozon nela!

É claro, nem todos os filmes de François Ozon são antídotos para a tristeza. Não vi “Time to leave”, mas imagino que seja de afundar até Pollyana num quarto escuro. Em compensação, “5X2″, “8 femmes” e até “Swimming Pool” são uma contenteza só. O francês se esbalda em graça com suas histórias surreais, diálogos hilários e aqueles característicos momentos musical-da-Broadway-que-não-conto-mas-adoro.

Ontem assisti ao mais recente, “Potiche”, que já saiu dos cinemas, mas está instantâneo no Netflix. Catherine Deneuve e Gerard Depardieu, nem preciso dizer, valem o filme. Ela, no papel de uma inofensiva dona de casa que se vê obrigada a assumir os negócios da família quando o marido tem um colapso nervoso. Daí é um pastelão só. É tão raro ver uma narrativa esculachada ser, ao mesmo tempo, ácida e divertida. Talvez justamente por se fingir despretensioso, até bobo, Ozon chega sem escalas ao coração.

Capoeira em Nova York

Fique super feliz com a matéria que eu, o repórter cinematográfico Francisco Quinteiro Pires e o editor Davy Areia fizemos aqui em Nova York. Foi ao ar hoje no Esporte Espetacular, um jornal que eu assisto desde sempre e, desde sempre, é cheio de feras. Maior orgulho. Para ver a matéria completa, é só clicar na foto ao lado! Ou aqui!

Mas o que fiquei pensando mesmo é como tem algumas coisas pelas quais a gente se apaixona perdidamente quando está longe de casa. Nunca gostei tanto de goiabada com queijo nem soube valorizar um doce de leite mineiro tão bem (valeu, João!). Ver americanos, japoneses, equatorianos e muitos outros gingando com tanta paixão me deixou com uma vontade louca de me matricular na primeira aula de capoeira! Para completar, conhecer o trabalho da Edna Lima, que está nos Estados Unidos há mais de vinte anos e é fera no assunto, me deixou ainda mais empolgada. Daí, no meio da minha animação, eis que a neve começa a cair do lado de fora… Acho que é uma boa promessa de ano novo: fazer capoeira no verão. Será que dá certo?

Only when I dance

Faz quase um ano, em um jantar na casa de amigos queridos no Queens, alguém me disse que acabara de ver um filme maravilhoso no Netflix. “Me acabei de chorar”, meu amigo afirmou, sobre “Only when I dance“, que desde então segue instantâneo no Netflix. Ontem, depois do trabalho, segui para um happy hour com umas amigas. Na mesa, éramos seis: duas brasileiras, uma indiana, uma peruana, uma colombiana e uma americana. Não falamos de trabalho. Conversamos sobre os diferentes modos de preconceito que presenciamos nos nossos respectivos países de origem. Três de nós ainda moramos na Europa, então acabamos falando um pouco de cada canto do mundo. O preconceito religioso entre os franceses, o racial entre os americanos, o étnico entre os hispânicos. Para nós, brasileiros, restou a sensação de que amamos ser um melting pot, mas guardamos no fundo do peito um monte de sentimentos preconceituosos. Não sei bem qual a minha opinião sobre isso. Ela muda a cada dia. Às vezes acho que não somos nem mesmo um pouquinho racistas. Outras, acho que a meu pensamento anterior era uma bela hipocrisia.

O fato é que, chegando em casa, resolvi ve um filme. Na primeira página do Netflix, eis que aparece “Only when I dance”. Decidido.

O filme narra a história de um grupo de dançarinos de uma comunidade pobre do Rio de Janeiro. O destaque vai para as trajetórias de Isabela Alves e Irlan Silva, distintas no curso e no destino. Claro que, como meu amigo, “me acabei de chorar”. Apesar de não ser seu objetivo central, o filme traz à tona o debate que tivemos à mesa. Considerado pelo New York Times “um Billy Elliot da vida real”, é minha recomendação para quem gosta de dança, do Brasil, ou simplesmente, de pessoas.