Artistas do Japão pós-guerra no MoMA

Na letra de “A Paz”, Gilberto Gil apontava para a ironia de que uma bomba lançada sobre o Japão teria feito “nascer o Japão da paz”. Entender como o país se reergueu nos anos posteriores à Segunda Guerra Mundial é uma difícil tarefa, mas a nova exposição no MoMA oferece algumas pistas.

Pinturas, esculturas, fotografias e vídeos integram “Tokyo 1955–1970: A New Avant-Garde”. A exibição, em cartaz até fevereiro de 2013, mostra como a capital japonesa serviu de palco para experimentos artísticos que mudaram a aparência da metrópole — e a arte mundial.


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O Grito, de Edvard Munch, chega ao MoMA

Das quatro versões que Edvard Munch produziu de “O Grito”, apenas uma permanece nas mãos de um colecionador particular. As outras três estão em museus da terra natal do pintor, a Noruega. Por isso a chance de ver essa imagem única é sempre celebrada. A peça foi adquirida em maio, em um leilão da Sotheby’s, por US$ 120 milhões.

O Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) exibe a obra, datada de 1895, durante os próximos seis meses, até 29 de abril de 2013. A visita já valeria a pena só por “O Grito”, mas os curadores do MoMA foram além e selecionaram uma série de criações de Munch pertencentes à coleção do museu.

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Boa hora para o Guggenheim

O Guggenheim é um museu especial porque, ao contrário dos grandes museus de Nova York, não é assim tão grande. É possível fazer uma visita bem completa e tranquila em apenas um dia. Melhor ainda quando as exposições temporárias valem a pena. Desta vez vi duas ótimas.

John Chamberlain: Choices traz um panorama da carreira do artista, morto em dezembro do ano passado. Eu vi uma bela exposição dele na Gagosian, há mais ou menos um ano, mas a do Guggenheim é diferente porque reune obras de várias fases. Vemos Chamberlain minimalista, pop, expressionista, escultor, pintor, louco. Apesar da voz irritante da curadora, é bacana ouvir o audioguide, gratuito, que explica em detalhes a caminhada do mestre da transformação de automóveis em arte.

Além dessa, a exposição sobre a obra de Francesca Woodman é de encher os olhos. Muito se fala sobre a fotógrafa que se suicidou aos 22 anos, mas na reunião de suas obras descobre-se que há muito mais a se falar dela, além da morte trágica. Apesar de breve, a carreira de Woodman é sólida, baseada em auto-retratos (curadores juram que qualquer semelhança com Cindy Sherman no Moma é mera coincidência) de uma crueza e cruedade gritantes.

Chamberlain fica até 13 de maio; Woodman até 13 de junho.

Sai África do Sul, entra Brasil no Moma

No último post falávamos em África do Sul. Coincidência ou não, fui ao Moma ver a instalação de um artista brasileiro e acabei descobrindo que era o último dia de uma exposição que eu queria vez há tempos: Impressions from South Africa, 1965 to Now. Me sinto péssima de postar isso quando Inês é morta e a exposição não está mais em cartaz. Mas tem o catálogo e o google, que podem ajudar a ter uma ideia do que eu vi.

A questão política de que falava o filme “Skin”, do post de ontem, aparece em cada um dos trabalhos. São obras feitas durante o período do Apartheid, que retratam a violência policial, a desigualdade, a intolerância. Pude rever alguns artistas que tinha descoberto em Atlanta, no High Museum, ano passado. Até então, William Kentridge era um desconhecido para mim. Poucas coisas são tão mágicas quanto decobrir um novo artista e se apaixonar. No Moma, foi como um segundo encontro depois de um bem sucedido first date. As duas exposições traziam trabalhos feitos em papel. A do High Museum, “Transitions: Contemporary South African works on paper”, tinha uma obra enorme do Kentridge, daquelas de tirar o fôlego pelo resto do dia.

 

 

Mesmo sem essa belíssima exposição, visitar o Moma sempre vale a pena. Principalmente quando se tem a oportunidade de prestigiar o trabalho de um brasileiro. A obra de Carlito Carvalhosa, Sum of Days, fica no museu até 14 de novembro. Ela traz uma pertubadora interação com o tempo. A gente é levado a caminhar por dentro de um organismo de tecido branco, cheio de caixas de som penduradas, cada uma com um barulho diferente (inclusive microfonias). Os sons que saem dali foram gravados em diferentes momentos. Quando mais antigo o barulho, mais nublado ele fica. Vale a pena ficar atento ao calendário do Moma (pelo twitter @MuseumModernArt), porque de vez enquando artistas fazem performances dentro da instalação. Além de Philip Glass, Lisa Bielawa, David Crowell, Jon Gibson, Carla Kihlstedt, Michael Riesman, Mick Rossi, e Andrew Sterman se apresentam.

 

 

De Cao a Tom

Este cara aí no foto do lado, na pontinha, de camisa branca, abraçando alguém e rodeado por tantos alguéns, foi ovacionado hoje no Lincoln Center. Já vi muita gente ali naquele palco. Mas poucas pessoas foram tão aplaudidas quanto Tom Zé. O público todo, de pé, pediu bis. E depois do bis, se levantou mais uma vez.

Tom Zé improvisou. Fez música com a lista telefônica de Nova York (call 911 era um dos versos) e com a frase mais famosa da cidade, “Stand clear of the closing doors, please“. Cantou clássicos, como Todos os Olhos, e canções dos discos mais recentes, pós David Byrne. Foi genial.

Ontem fui ao Moma assistir ao último filme de Cao Guimarães, Ex Isto. É uma obra baseada no livro mais louco da literatura brasileira, Catatau, de Paulo Leminski. O filme não poderia ser diferente. Não tem diálogos. Tem apenas um personagem: René Descartes. É um devaneio sobre o que teria pensado o filósofo do cartesianismo se desembarcasse no Brasil. Mas não é um filme chato, ou difícil. Pelo contrário. É uma viagem deliciosa pelo caos brasileiro.

Nas duas situações vi salas cheias de americanos, ansiosos para aplaudir inventores brasileiros. Artistas autorais, com obras que bebem na nossa cultura. Ambas, como boa poesia que são, difíceis de traduzir. Ainda assim, dava para sentir a comunicação intensa entre público e artista.

Fiquei com pena de ter que estar longe de casa para ver cenas tão bonitas. Abaixo, a música Augusta, Angélica e Consolação. Certamente os americanos perderam por não saberem que se tratam de nomes de ruas de São Paulo, não apenas de mulheres. Mas quem estava lá hoje, vendo Tom Zé, certamente ganhou muito mais.

 

 

A América Latina de Francis Alys

Você já se sentiu enxugando gelo? Movendo montanhas… para nada? Tentando subir uma ladeira enorme com um fusquinha velho e, mesmo assim, tentando, tentando… Talvez não seja só você. Pode ser o sintoma de um continente inteiro. A América Latina vista pelos olhos do belga Francis Alys é fascinante. Como uma pessoa tão distante conseguiu nos entender, no auge dos nossos defeitos, tão bem?

Alys nos fragiliza com seu olhar áspero e bem-humorado. A exposição do artista, que vive no México desde a década de 80, está no Moma, em Nova York, até o dia 01 de agosto. Também tem um pedaço pequeno no PS1.

Para completar, descobri que o doido tem um canal no Youtube. Quem não vive em NY nem está de passagem pela melhor cidade do mundo, pode dar um pulinho lá. É só clicar aqui.

Forró no Moma

Hoje teve forró no jardim do Moma! Descbori meio sem querer. Fui ver uma exposição e lá estava o grupo tocando um pé de serra animado. A má notícia é que eles não tocam mais por lá este verão. A boa é que toda quinta à noite tem uma apresentação bacana no jardim. Semana que vem é  a vez do grupo Frente Cumbiero. Dia 21 tem Wu Fei e dia 28, Mamie Minch.
Aproveitem para ver a exposição sobre Expressionismo Alemão (destaque para Otto Diz e Kathe Kollwitz), e a do artista plástico Francis Alÿs.
Amanhã falo com calma das duas exposições, que já já saem de cartaz e eu super recomendo. Até lá!

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