Museu de graça. Pode?

metropolitanNem todo mundo sabe, mas vários museus de Nova York oferecem a chamada “suggested donation” ou “pay-what-you-wish”. Isso significa que, em vez do preço do ingresso exibido na entrada da instituição, o visitante pode pagar quanto quiser. Vinte dólares… Dez… Alguns centavos…

É o caso do Museu de História Natural e do Metropolitan Museum of Art. O último está sendo processado, acusado de não deixar tal política clara o suficiente.

O diretor do Met publicou uma mensagem no site da instituição dizendo que a regra existe há mais de 40 anos e é, sim, conhecida do público. Ele afirmou que é claro que deseja que os visitantes paguem o máximo possível, já que o museu se sustenta com doações. Mas lembrou que todos são igualmente bem-vindos, não importa quanto desembolsem pelo ingresso.

Post publicado originalmente no Ela Digital. Clique aqui para ver mais notícias de Nova York.

Vai uma cerveja? Ou 700?

Leia o meu texto publicado hoje, no blog do Ela Digital, do jornal O Globo:

Não faz nem um ano que a City Swiggers abriu sua loja no Upper East Side, mas o lugar já se tornou a meca dos apaixonados por cerveja. São mais de 700 marcas e uma semana nunca é igual a outra. O cardápio varia de acordo com a estação. A chegada do outono promete sabores mais intensos. As opções “summer ale”, especiais para a estação mais quente do ano, serão abolidas até o ano que vem.

Até entre as marcas brasileiras há surpresas. Nada das tradicionais loiras dos bares do Rio. As marcas disponíveis são Palma Louca e Xingu. O lugar também tem um “tasting room” em que os clientes podem experimentar diversos tipos de cerveja in loco. Toda quarta-feira fabricantes da bebida fazem eventos no local. Hoje, entre 17h00 e 21h00, a Magic Hat leva quatro sabores diferentes, entre eles o seu I.P.A (Indian Pale Ale).

Clique aqui para ler outras notícias do Ela Digital.

Tirolesa na selva… de concreto

Leia o meu texto publicado hoje, no blog do Ela Digital, do jornal O Globo:

As ruas de Nova York se fecham para os carros e se abrem para o verão. Hoje e no próximo sábado, mais de 11km de asfalto serão reservados para atividades que são a cara da estação. Haverá feiras de produtos orgânicos, passeios de bicicleta, aulas de ioga ao ar livre e paredes de escalada.

A principal atração do Summer Streets deste ano é a tirolesa da Foley Square. A sensação é única até mesmo para quem já praticou a atividade: em vez de descer em um cabo de aço entre árvores, os aventureiros têm como paisagem os arranha-céus da cidade.

Para participar, é preciso pesar entre 27 e 113 kg. A Foley Square fica perto do City Hall, a prefeitura de Nova York. A tirolesa funciona das 7:00 às 13:00.

No site do Departamento de Transportes de Nova York há uma lista completa das atividades do Summer Streets.

Clique aqui para ler outras notícias do Ela Digital.

A invasão das bolinhas

Leia o meu texto publicado hoje, no blog do Ela Digital, do jornal O Globo, sobre a artista plástica Yayoi Kusama:

Das vitrines aos museus, o nome da vez em Nova York é Yayoi Kusama. A exposição da artista plástica fica em cartaz até 30 de setembro no Whitney Museum. Além dos quadros e da famosa cadeira fálica “Accumulation”, o museu reuniu histórias dos mais de 60 anos de carreira da japonesa.

Enquanto isso, as lojas da Louis Vuitton exibem as peças de sua nova coleção, com estampas polka dots, as bolinhas que permearam o trabalho de Kusama. Marc Jacobs, fã da artista, declarou que a linha foi feita em parceria com a equipe dela.

Aos 83 anos, Yayoi Kusama volta à cidade onde viveu do fim dos anos 1950 ao início dos 1970, quando se internou, voluntariamente, em um hospício de Tóquio. O retorno a Nova York foi em grande estilo, com uma recepção na maison da marca, na 5a Avenida.

Clique aqui para ler outras notícias do Ela Digital.

Quando Nola supera NY

A série do momento é Newsroom, da HBO. A redação fictícia fica em Nova York. Lá, todo mundo fala rápido e toma porre. É bem divertido. Principalmente para jornalistas que sabem que a realidade não é bem assim. Eu, que nunca consegui acompanhar nenhum seriado, aguentei os três primeiros feliz. Mas esperar ansiosamente pela semana seguinte, amar uma série com a mesma intensidade que amo Avenida Brasil, só aconteceu uma vez. Tremé. A série, também da HBO, causa alvoroço aqui em casa. A gente canta junto a música de abertura, se emociona com as histórias de quem viveu o terrível Katrina e sobreviveu a ele.

Em 2010, passei mais de 20 dias em Nova Orleans. É a Salvador dos americanos. Mistura de raças, culinárias, cores, sons. Visitei o 9th Ward, a área mais devastada pelo furacão, cinco anos depois. Parecia que o Katrina havia passado na semana anterior, tamanha a destruição. Fui à Frenchmen Street várias noites, ouvir jazz do bom. Conheci gente de todo tipo, algo comum por lá. São pessoas cheias de sorrisos e causos. Uma delícia.

Tremé tem tudo isso. Música boa, pesonagens detestáveis e encantadores e as paisagens lindas da cidade mais brasileira dos Estados Unidos. Super recomendo.

Figuraça da semana

Da série “coisas que só acontecem no Harlem”. Hoje o rapazote aí do lado malhava calmamente no cruzamento da 125th Street com a Lenox Ave, simplesmente o ponto mais movimentado do bairro. Isso às 3 da tarde. É ou não é uma cidade democrática? É ou não é um bairro, digamos, surpreendente?

Jane’s Walk

    

Jane Jacobs é vista por muita gente como a mulher que salvou Nova York. Na década de 60, quando Robert Moses tentava contruir vias expressas cruzando Manhattan, ela colheu assinaturas, mobilizou a vizinhança, e conseguiu impedir o projeto. Moses já havia construído a Cross-Bronx expressway, mas a Lower Manhattan expressway nunca saiu do papel graças à força de Jacobs. Ela é autora do livro The Death and Life of Great American Cities, considerado até hoje um clássico do urbanismo.

Uma vez por ano, na época do aniversário de Jacobs, o Municipal Art Society of New York promove dezenas de caminhadas pela cidade, as Jane’s Walk. Ontem fui a uma em Brooklyn Heights e outra no Greenwich Village. Às vezes os guias são sensacionais, às vezes é apenas uma pessoa apaixonada pela própria vizinhança, que nos leva para um passeio. Ainda assim, vale a pena.

As caminhadas são sempre gratuitas e ainda dá tempo de aproveitar. Mais que isso, se você quiser ser um voluntário, um guia para um dos passeios, pode criar um roteiro.

Flushing – 背面

As últimas semanas foram malucas. O prazo de entrega da tese era a última sexta-feira, então fiquei por conta. Mal consegui me mexer. Para compensar o longo e tenebroso inverno, passei o fim de semana realizando desejos antigos. Um deles era conhecer o Flushing. A região foi fundada em 1645, como o primeiro assentamento holandês no Queens. Hoje é casa de milhares de chineses. Chega a dar frio na barriga. Nunca havia sentido isso em Nova York, mas em Flushing, ao sair do metrô, a sensação de que você chegou a outro país é imediata. Que susto.

Para chegar até lá é preciso pegar o metrô 7 até a última parada, Main Street – Flushing. Demora pouco mais de uma hora, mas vale a pena. A melhor pedida é ir parando de restaurante em restaurante, comendo um pouquinho em cada um, para poder provar de tudo. O Golden Mall (que o Anthony Boudain visita em um No Reservations) e o New Mall são boas pedidas para ver um pouquinho de tudo. Mas imperdível mesmo é o Nan Xiang Xiao Long Bao, uma casa de dumplings onde tudo é delicioso. Prepare-se para enfrentar uma fila de respeito, mas vá. E para fechar o dia, um café em uma das padarias chinesas da região. Fomos à Iris tea & Bakery, que não é lá muito chinesa, mas oferece quitutes do mundo todo, como o pão de chocolate mexicano.

Calma que o dia não acabou! Aliás, um dia é muito, muito pouco para conhecer a imensa vizinhança. O Flushing parece outro país, mas é Nova York. Assim sendo, não poderia se limitar a um povo só. Andando mais um bocadinho, a gente chega à área indiana do bairro. É possível visitar o Ganesh Temple, um templo aberto para visitantes. Provavelmente o mais próximo que se pode chegar da Índia fora de lá. Dá até para fazer oferendas (pedaços de côco estão entre as preferidas, por isso tem até espaço para quebrar côco do lado de fora!) e acompanhar as cerimônias. No basement, fica o segredo mais bem guardado da área: uma cantina enorme, servindo, por $4, pratos vegetarianos típicos. E só há indianos no local. Aliás, quem gosta de comer já deve ter sacado que a melhor estratégia para ir nos restaurantes étnicos é ver se a maioria dos clientes é do país de origem. Mexicano cheio de americano não dá. Assim como chinês cheio de ocidental costuma ser furada.

Posso dizer que um dia inteiro não deu nem para o começo da aventura. Precisamos voltar lá muitas e muitas vezes. Mas já demos o pontapé inicial! O próximo plano é aprender mandarim para saber o que estou comendo… Se bem que o lugar é tão complexo que nem isso serviria. Tem muito comerciante que só fala cantonês… 背面!!

Comédia de pé: ame-a ou deixe-a?

Demorei para me render aos encantos da standup comedy. Lembro bem de, quando criança, ver programas americanos e não entender de onde vinha a graça. Achava tudo bobo demais. Ainda não sou super fã mas, pouco a pouco, vou me acostumando e descobrindo os meus favoritos.

Ajudou muito a reportagem que fiz sobre mulheres na standup comedy para o Caderno Ela, do jornal O Globo (clique na foto ao lado ou aqui para ver). Foi a partir dela que conheci o UCB (Upright Citizens Brigade) Theatre, uma casa pequena em Nova York, com uma programação extensa e um preço mínimo. A entrada costuma ser $5,00. Catie Lazarus, que entrevistei para a reportagem, está sempre lá. Tina Fey menciona o lugar várias vezes em seu livro. É uma boa pedida para quem quer se aventurar sem perder muito dinheiro. Aí, se gostar você volta. Caso contrário, não sai danado da vida, já que o investimento foi baixo.

Mas, de volta aos favoritos, tenho visto vários vídeos do Louis CK. Tem alguns instantâneos no Netflix. Ele faz um monte de piadas preconceituosas, já aviso de antemão. Mas também tem números sobre a vida de casado, a criação dos filhos, coisas do dia-a-dia. Vale a pena conferir.

 

Happy Subway Easter!

A melhor coisa de viver em Nova York é ter o mundo inteiro no espaço de uma ilha. Hoje, domingo de páscoa, bem que pensei em ir a uma das igrejas da vizinhança. Não consegui, mas vi as ruas cheias de gente saindo delas. Não é que à noite, voltando para casa de metrô, a igreja veio até nós? Pelo menos o coral do Harlem estava lá. Ninguém pediu dinheiro, nada. Era só mesmo para celebrar. Viva NY. Boa páscoa a todos!