Pé Sujo NY – Tasty Hand-Pulled Noodles

Imagine um pé sujo bem sujo. Não. Eu disse sujo, sujo, sujo. Mais. Um daqueles que você jamais teria coragem de recomendar a ninguém. E só iria para não ser chamado de fracote. Pois eu tenho um amigo que teve a audácia de nos recomendar, acreditando que a gente era valente para valer. E para não decepcionar, fomos. Golaço.

O Tasty Hand Pulled Noodles (sim, este é o nome do restaurante, para vocês verem como a galera é ligada em marketing) já começa te desafiando pela localização. Fica no chamado “bloody angle” (não se chama ângulo sangrento à toa), aonde eu não iria à noite nem para provar que sou arretada. O apelido foi dado no começo do século por causa da quantidade de assassinatos que aconteciam no local. É de arrepiar. Um daqueles lugares onde, certamente, há porões onde tudo de mais perigoso acontece. Sabe “O Poderoso Chefão”? Só que em Chinatown. Entendeu, né?

Ainda do lado de fora, o segundo desafio. O lugar é tão especial que nem tem o grade do lado de fora. Lembra daquele sistema de notas da vigilância sanitária de que falamos aqui? Pelo menos quando estive lá, não havia nadica na porta (repare acima, a foto da fachada). Nem A, nem B, nem C, nem Grade Pending. Imagino que o fiscal da vigilância deva ter pensado que aquilo ser chamado restaurante era piada.

Mas acreditem em mim. Se vocês conseguirem vencer o medo, terão uma experiência incrível. Ontem o New York Times publicou um artigo sobre os chamados “thin places”. Resumindo, são lugares onde a gente se sente a pessoa mais feliz do mundo. É raro viver isso e ali, eu vivi. Da mesa (acho que são só quatro) você consegue assistir, por uma portinha, ao cozinheiro fazendo os noodles à mão. A massa é mesmo diferente de qualquer uma. Nunca comi nada parecido e depois de lá, tudo perdeu a graça. O radinho da Hello Kitty pendurado no balcão me vem à cabeça toda vez que pago vinte dólares em um prato que não chega aos pés daquele (que custa, em média, $7,50). Os vegetarianos estão indicados no cardápio. Se você não fala chinês, é só apontar.

Vale a pena sair de lá e andar sem rumo pela Doyers Street. Você vai ver filas de salões de beleza e barbearias, além da Nom Wah Tea Parlor, no mesmo endereço, na 13 Doyers Street, desde 1927. Só que já é mais arrumadinho, então não entra na nossa semana especial. De toda forma, vale a pena. Caminhando até o final da rua, você encontra diversas lojinhas fofas e uma igreja inusitada. Só faço questão de ressaltar: o gran finale da nossa semana ficou por último por um motivo. É coisa para iniciados. Não vá lá apenas porque deu vontade de comer noodles. Vá à procura de aventura. Caso contrário, melhor não arriscar, ou vão ficar me maldizendo por aí e eu estou muito jovem para acabar em um porão qualquer da Doyers Street.