Bolo

Algumas entrevistas são ótimas. Outras não rendem nada. E isso nem sempre depende de você. Às vezes o entrevistado está num mau dia, sem paciência. Recentemente gravamos para o Multishow uma entrevista com os integrantes da banda Cake (clique aqui para ver no site do Multishow). Eu sempre gostei muito deles. Conheci o John na última vez em que foram ao Rio. Ele se apaixonou pelo piso da cozinha, de autoria do artista plástico Francisco Brennand, do Recife, e a gente chegou a combinar o envio do piso para ele, na Califónia. Como bons brasileiros, nunca mandamos.

Mais ou menos uns cinco anos depois desse primeiro encontro, marcamos a entrevista, aqui em Nova York. Chegando lá, John cobrou o envio do piso, falou da ansiedade de voltar ao Brasil e contou novidades. Sempre achei uma temeridade o jornalista ficar “amigo” do entrevistado e, claro, não fiquei amiga do John. Foram só mesmo esses dois encontros. Mas o último foi especial porque me mostrou como esse distanciamento é importante e não atrapalha em nada o ofício do jornalista. Pelo contrário. Foi uma conversa relaxada, em que deu tempo de falar de música, meio ambiente, amigos, Brasil. Eles dividiram suas ansiedades, as dificuldades de manter uma banda por tanto tempo e acho, honestamente, que se estivessem gravando com um amigo, o papo não renderia tanto.

Uma vez Chico comparou o jornalista a um terapeuta. Ambos ficam ali, parados, perguntando e ouvindo as angústias do interlocutor. Já viu terapeuta ficar amigão do paciente? Não funciona muito, né?

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