O fotógrafo da comédia humana

Foi com o título acima que saiu uma reportagem no jornal Valor Econômico de ontem sobre a exposição de Elliott Erwitt, em cartaz no ICP (International Center of Photography). Trata-se de uma belíssima reunião da obra deste que talvez seja um dos maiores fotógrafos da atualidade. Erwitt é debochado, engajado, divertido e profundo. Une todos os sentimentos possíveis numa longa sequência de retratos em branco-e-preto. Talvez sua obra mais famosa seja a foto ao lado, mas ele tem tantas outras que, se você não as conhece pela fotografia em si, reconhecerá de algum momento da sua vida.

Na reportagem, Erwitt se diz à procura da essência da comédia humana. Segundo ele, essa é a única coisa que merece ser registrada. E o que se vê na exposição é um pouco de cada um dos nossos momentos mais íntimos e comuns. O luto, a rotina, a luta. O amor pelos animais, pelo próximo, o ódio, a surpresa. Está tudo ali, em retratos que capturam a essência do ser.

Mas talvez o mais bonito na obra dele seja o desapego ao exclusivismo. Erwitt não quer ser único, inatingível, Abre mão desse status para se comunicar com o mundo. Seja você um grande conhecedor de arte ou alguém que engatinha quando o assunto é museu, a obra desse gênio o receberá de braços abertos. É aí que se percebe um grande artista. Não é aquele que usa o talento para excluir, para se diferenciar dos demais. É aquele que sabe que tem em mãos a mais poderosa ferramenta da democracia.

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