Linsanity

Sabe aqueles momentos em que você se sente um nada no mundo? Rejeitado por tudo e por todos? Talvez com poucos amigos, sem emprego, recém-separado do amor da sua vida? Se não quiser dar uma de Poliana, uma dica. Pense em Jeremy Lin.

A nova estrela do New York Knicks surgiu do nada. Ao se formar na high school, apesar de somar estatísticas impressionantes, não conseguiu bolsa como atleta em nenhuma universidade. Nenhuminha. Acabou indo para Harvard estudar economia, onde também não conseguiu bolsa, mas teria uma vaga no time. (Fico imaginando se ele já quitou o empréstimo que deve ter contraído para fazer uma das faculdades mais caras do país… Barack Obama só pagou o dele quando já era senador).

Depois de vários nãos, o pequeno asiático conquistou o mundo. Tanto que China (onde o pai dele nasceu) e Taiwan (onde nasceu a mãe dele) brigam pela paternidade do moço. Foi chegando de mansinho, se aproveitando da ausência de Carmelo Anthony, contundido, e Amar’e Stoudenire, de licença por causa da morte do irmão. Virou o dono da bola. O armador, bem menor que os companheiros de equipe, lembra Ronaldinho Gaúcho em sua fase áurea: define quando é preciso (veja no vídeo abaixo o que ele fez contra os Raptors esta semana), mas também sabe ser generoso e deixar os companheiros na cara do gol. Tyson Chandler que o diga.

Anthony e Stoudenire recebem $18 millhões por ano cada, contra os $500 mil de Lin. Eram as estrelas da equipe, mas nunca causaram a febre que Lin vem causando. Em qualquer loja de esportes da cidade, é dele a camisa mais procurada. A mania ganhou até um nome: Linsanity.

Pelo que conta um artigo do NYT de ontem, Lin não teve uma educação à la tiger mom. Seus pais misturaram um pouco da cultura chinesa com um bocado da americana, comparecendo aos jogos e passando a mão na cabeça do filho a cada derrota. O pai gravava vídeos de outros atletas, para o moleque Lin imitar.

Lin representa mais que um profissional bem sucedido. É a ruptura de uma série de estigmas. É o asiático entre os gigantes afro-americanos da NBA; é o imigrante ensinando os donos da casa a jogar; é a cria de um chinês que rompeu com a tradição da rígida educação daquele país. E mais que tudo isso, Lin é uma lição para todos nós que, vez por outra, perdemos o namorado, o emprego, ou ouvimos que não somos bons o suficiente. Às vezes é só uma questão de esperar os últimos dois segundos, para cravar uma cesta de três pontos.

2 thoughts on “Linsanity

  1. Otima materia!!!
    Acho que todos tem maus momentos, mas as vezes e so um prenuncio de que o melhor esta por vir.
    Sucessos

    Roselane Barros

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