Globo Notícia Américas – 04/03

A Super Terça está chegando e o Globo Notícia Américas traz os detalhes dos preparativos dos candidatos republicanos para o dia D das prévias. Também vamos mostrar fraudes no sistema de saúde americano que mandaram para a cadeia sete pessoas em Dallas e 36 em Nova York. Tem ainda a exportação de borboletas na Colômbia e as manifestações que invadiram as ruas do Chile e de Buenos Aires. Outro destaque são os tornados, que causaram mortes no meio-oeste americano. Nos nossos estúdios, receberemos uma médica para falar da chegada, antes da hora, das famosas alergias, típicas da primavera. É no domingo! Até lá!

Para vera chamada, clique na foto acima ou aqui.

Grade Pending

Quem mora em Nova York já deve ter percebido, mas muitos turistas jamais repararam. Todo restaurante da cidade tem um papel na porta com uma letra (A, B e, se o caso for dramático, C) ou um símbolo em que se lê “Grade Pending”. São as classificações da Vigilância Sanitária da cidade. O restaurante com nota A é excelente, tem uma cozinha com higiene exemplar. O B é mais ou menos. O C é terrível. O Grade Pending é para aqueles que receberam uma nota B ou C e preferiram deixar esse sinal enquanto aguardam para serem ouvidos por uma autoridade do departamento. O velho “tomou um chamado daqueles e não gostou”.

Resumindo: se você quiser comer nos limpinhos, vá nos A. Dê meia volta ao ver um Grade Pending e aceite um B se não quiser parecer exigente demais.

Quem não tem frescura encara qualquer um. Aliás, eu tenho dois amigos que preferem os Grade Pending, mais “roots”, segundo eles. Confesso que não sou das mais exigentes e costumo topar qualquer um. Até eu descobrir que no site da Vigilância Sanitária você consegue saber qual foi o motivo da nota. Aí meu mundo caiu. Que tal estar sentada à mesa e, pelo celular, ser notificada de que a comida que você irá deliciar em sete minutos está sendo preparada em uma cozinha “com presença de ratos, cocô de barata e pedaços dos animais”? Não, né?

Hoje o New York Times divulgou uma ferramenta mais amigável, em que os ratinhos são até bonitinhos. Você clica e consegue descobrir a nota dos restaurantes e o motivo, igualzinho no site da Vigilância, mas de um jeito mais simpático.

Muitas vezes eu desejo nunca ter descoberto a existência desses cartazes. Aliás, se estraguei sua relação de amor com algum restaurante da cidade, caro leitor, mil desculpas. Reconheço que às vezes é melhor ficar no escuro. Nesse caso, minha recomedação é que você entre nos restaurantes correndo, com o olhinho meio apertado. Foco no balcão, para não correr o risco de olhar para porta. Não veja o cartaz, não entre no site e seja feliz!

The Loving Story

O International Center of Photography tem feito algumas das melhores exposições da cidade nos últimos anos. Fui lá este fim de semana para ver “Weegee: murder is my business” e saí, mais uma vez, impactada. A curadoria é impecável provendo, além das fotos, claro, uma imagem surpreendente do homem por trás da câmera. Jornalistas com algum grau de convivência com repórteres investigativos vão reconhecer vários amigos ali.

Se for ver Weegee, não deixe de dar uma pulinho na diminuta, porém rica exposição “The Loving Story”. Ela conta a história de Richard e Mildred Loving, um casal interracial que vivia na Virgínia nos anos 50, quando uniões desse tipo eram proibidas por lei no estado. Isso mesmo. Outro dia. Os dois foram fotografados por Grey Villet para a revista Life e as fotos deram origem a essa exposição.

A HBO também acaba de lançar um documentário sobre a história do casal, que não participou diretamente da luta pelos direitos civis, mas acabou se tornando um símbolo dela. Os dois foram condenados a um ano de prisão pelo “crime” porque, segundo o entendimento do juíz, Deus havia feito as raças diferentes para que elas não se misturassem jamais. Parece surreal, mas esse pensamento permeava a lei de mais de 15 estados americanos até os anos 60. De tempos em tempos, é bom refrescar a memória, ver quanto já caminhamos e quanto ainda precisamos caminhar.

A exposição de Weegee vai até setembro, mas a do casal Loving fica só até 6 de maio.

A alma da cidade

Nova York jamais seria Nova York sem o metrô. Pode ser sujo, barulhento, mas o fato é que sem as 468 estações cortadas por trens (os expressos são o orgulho da cidade) seria muito mais difícil viver. Já pensou que maravilha sua vida se você não precisasse mais de carro? Aqui é assim. E, pode ter certeza, esse luxo é melhor do que você imagina.

O serviço funciona 24 horas por dia, sete dias por semana e liga os cinco boroughs por mais de mil quilômetros de trilhos. Nessas viagens, a gente é acompanhado pela voz do condutor. Alguns são divertidos, outros bravos, outros breves. Certo dia, a caminho do Brooklyn debaixo de uma chuva daquelas, ele anunciou: “não importa o seu destino, o caminho é a felicidade”. Demais.

Mas apenas uma voz é universal nessas viagens. Hoje, graças a um pequeno artigo no The New York Times, descobri que o gênio que nos diz para “stand clear of the closing doors” diariamente é Bernie Wagenblast. A voz é tão marcante que rendeu uma composição de Tom Zé durante a apresentação dele no Lincoln Center ano passado. “Vocês, novaiorquinos têm muita sorte. Todo dia ouvem essa poesia. “Stand clear of the closing doors”. Três aliterações. É beleza demais.”

Só que as frases de Wagenblast são um tanto limitadas. Então, o Times convidou o tenor do metrô para gravar outras, sugeridas pelos leitores. É das coisas mais geniais dos últimos tempos. Para quem mora/morou na cidade, ou apenas é apaixonado por aqui, é certeza de gargalhadas. “Cheap headphones” é um pérola. Divirtam-se!

Falta de educação

Não é fácil entender o bafafá causado pela divulgação, hoje, dos dados sobre o desempenho individual de 18 mil professores de escolas públicas de Nova York. Pode parecer simples de qualquer lado que se olhe. Entre os que são a favor, o argumento é óbvio: queremos escolas melhoes e professores mais qualificados para os nossos filhos. Para a turma do contra, também: que tipo de avaliação é essa? Quem define um bom profissional? Além disso, como confiar em uma pesquisa que tem uma margem de erro tão controversa?

Na verdade, o buraco é bem mais fundo. Envolve o Departamento de educação, os governos estadual, federal e municipal, sindicatos, pais, alunos… Para quem quiser entender melhor esse cabo de guerra, duas boas dicas são o post de ontem do The New York Times, que traz detalhes sobre a polêmica desde o início, e o filme Waiting for “Superman”. O documentário de Davis Guggenheim (o mesmo de An Incoveninet Truth) traz depoimentos das partes mas tem seu trunfo nas histórias de familias de todo o país, atingidas diretamente por essa discussão. Vale a pena, principalmente, para quem tem a ilusão de que o sistema educacional americano é essa coca-cola toda. E o melhor: está instantâneo no Netflix.

Globo Notícia Américas 27/02

O jornal deste domingo está especial. Além das notícias mais importantes da semana, no dia do Oscar, vamos mostrar a entrevista que fiz com a artiz Reese Witherspoon, ganhadora da estatueta em 2006. Fui até Los Angeles falar com ela sobre futuros projetos e o novo filme, Guerra é Guerra, que estreia no Brasil em março mas já está em cartaz por aqui sob o título This Means War.

Vamos mostrar também os resultados da investigações sobre o crime que assutou moradores da Geórgia. Um atirador matou quatro pessoas depois de suicidou em um spa. Tem ainda o alerta para o crescente roubo de gado no Texas e a polêmica proposta de Michael Bloomberg, que defende o monitoramento de estudantes muçulmanos. Para completar, Giuliana Morrone traz uma reportagem especial sobre os balões que fizeram sucesso no carnaval carioca, mas já são velhos conhecidos dos americanos.

Veja a chamada clicando na foto acima. E domingo, a gente se vê!

 

Sobre galos e abelhas

Já faz tempo que estou para escrever sobre o Red Rooster, o restaurante mais charmoso da cidade que, tenho o orgulho de dizer, fica na minha neighborhood (clique aqui para ler reportagem da Carta Capital sobre as mudanças na região). O mais novo empreendimento do chef Marcus Samuelsson foi escolhido pelo presidente Barack Obama para o lançamento da campanha dele, no ano passado. Segundo o cantor mais famoso dos Estados Unidos, por causa do bolo de milho. Posso garantir que poucas pessoas gostam tanto de bolo de milho quanto eu. Aliás, de milho verde, pamonha, papa de milho, tudo! Por isso me sinto capacitada para dizer: Obama tem razão.

Servido quentinho, com manteiga de mel e compota de tomate é, de longe, o melhor da cidade. Estivemos lá recentemente e o meu amigo fotógrafo não registou a iguaria, mas fotografou várias outras coisas incríveis, que seguem abaixo, em uma galeria de fotos (espero que funcione, é minha primeira galeria).

Teve até direito a banho de martini no meu casaco, devidamente flagrado por ele (veja vídeo abaixo, digno de um prêmio Embratel). É bom avisar, é difícil conseguir reserva no Red Rooster e ele é um pouco mais caro que a média. Mas é bem mais barato hoje que no dia do lançamento da campanha, quando um menu com entrada, prato principal e sobremesa (a atração era uma salada de lagosta, agrião e molho de pistache) saía por $40 mil. Acho que nem o Obama pagaria…

A foto aí de cima é de outra delícia que só tem aqui. O pão de mel do Bee Desserts é inigualável. A criadora, Cláudia, demorou quase dez anos para achar o ponto ideal. Chegar à cobertura de chocolate demandou a ajuda do super Jacques Torres, que abriu mão de suas preciosas horas de trabalho em nome da boa mesa. Ela acabou inventando outros sabores, mas o tradicional é campeão.

Os de dieta que me desculpem, mas depois do sucesso do post sobre o melhor cookie da cidade, acho que vez por outra vou fazer uns nesse estilo…

Linsanity

Sabe aqueles momentos em que você se sente um nada no mundo? Rejeitado por tudo e por todos? Talvez com poucos amigos, sem emprego, recém-separado do amor da sua vida? Se não quiser dar uma de Poliana, uma dica. Pense em Jeremy Lin.

A nova estrela do New York Knicks surgiu do nada. Ao se formar na high school, apesar de somar estatísticas impressionantes, não conseguiu bolsa como atleta em nenhuma universidade. Nenhuminha. Acabou indo para Harvard estudar economia, onde também não conseguiu bolsa, mas teria uma vaga no time. (Fico imaginando se ele já quitou o empréstimo que deve ter contraído para fazer uma das faculdades mais caras do país… Barack Obama só pagou o dele quando já era senador).

Depois de vários nãos, o pequeno asiático conquistou o mundo. Tanto que China (onde o pai dele nasceu) e Taiwan (onde nasceu a mãe dele) brigam pela paternidade do moço. Foi chegando de mansinho, se aproveitando da ausência de Carmelo Anthony, contundido, e Amar’e Stoudenire, de licença por causa da morte do irmão. Virou o dono da bola. O armador, bem menor que os companheiros de equipe, lembra Ronaldinho Gaúcho em sua fase áurea: define quando é preciso (veja no vídeo abaixo o que ele fez contra os Raptors esta semana), mas também sabe ser generoso e deixar os companheiros na cara do gol. Tyson Chandler que o diga.

Anthony e Stoudenire recebem $18 millhões por ano cada, contra os $500 mil de Lin. Eram as estrelas da equipe, mas nunca causaram a febre que Lin vem causando. Em qualquer loja de esportes da cidade, é dele a camisa mais procurada. A mania ganhou até um nome: Linsanity.

Pelo que conta um artigo do NYT de ontem, Lin não teve uma educação à la tiger mom. Seus pais misturaram um pouco da cultura chinesa com um bocado da americana, comparecendo aos jogos e passando a mão na cabeça do filho a cada derrota. O pai gravava vídeos de outros atletas, para o moleque Lin imitar.

Lin representa mais que um profissional bem sucedido. É a ruptura de uma série de estigmas. É o asiático entre os gigantes afro-americanos da NBA; é o imigrante ensinando os donos da casa a jogar; é a cria de um chinês que rompeu com a tradição da rígida educação daquele país. E mais que tudo isso, Lin é uma lição para todos nós que, vez por outra, perdemos o namorado, o emprego, ou ouvimos que não somos bons o suficiente. Às vezes é só uma questão de esperar os últimos dois segundos, para cravar uma cesta de três pontos.

Globo Notícia Américas – 19 de fevereiro

No “Globo Notícia Américas” de domingo, 19 de fevereiro, uma matéria sobre o desemprego crescente entre jovens nos Estados Unidos – por outro lado, há muitas vagas para controladores de voo, que não são preenchidas por falta de trabalhadores qualificados. E ainda: uma enchente destroi uma estrada perto da histórica cidade de Macchu Picchu. Confira no “Globo Notícia Américas” deste domingo, 19, às 14h (horário de Nova York).