Obama e os imigrantes

O governo Barack Obama anunciou uma novidade na semana passada que pode ajudar muito imigrantes em situação irregular. A ideia é que, quando se casam com americanos, eles não precisem mais deixar os Estados Unidos e ficar no país de origem, esperando o “waiver”, o perdão do governo. Alguns tinham que esperar até 10 anos para conseguir o benefício. Longe da família e do país que adotaram como casa.

Entendo quem vê com restrições a nova política administrativa, que não depende de aprovação do congresso para entrar em vigor. É pouco, principalmente para o governo que mais deportou na história americana. Um recorde que não condiz com o filho de um imigrante. Mas é bastante para a vida de milhares de pessoas e para alguém que passou quatro anos de mão amarradas por uma crise política, mais que econômica.

Vale lembrar que a novidade ainda não entrou em vigor. Por isso, quem se encaixa na lei não precisa – nem deve – se apressar. Quando a medida sair (alguns acham que isso acontecerá ainda este ano), o sonho dos papeis estará nas mãos. E sem precisar sair de casa.

Lembrando Abu Ghraib

Já que os quatro marines que apareceram urinando em cadáveres esta semana esqueceram, a gente pode sempre refrescar a memória. “Standard Operating Procedure”, de Errol Morris, é um filmaço em que o diretor entrevista alguns dos principais envolvidos no escândalo da prisão de Abu Ghraib. E Morris vai além. Nos leva a pensar em quem mais deveria ser punido e em quão agressivos são métodos considerados “padrão” (daí o título do filme). Morris não julga, não condena, apenas relata. E, por mais contraditório que pareça, é justamente por isso que se torna impossível não se envolver.

Os quatro marines já foram identificados, mas a punição ainda é incerta. A soldado Lynndie England (na foto do meu post anterior sobre o assunto), que talvez tenha sido o rosto mais marcante do episódio de Abu Ghraib, foi condenada a três anos de prisão. Outros dois envolvidos tiveram penas maiores: 8 e 10 anos.

Para quem não tem Nextflix, o filme pode ser visto, na íntegra, pelo Youtube.

 

Globo Notícia Américas 15/01/2012

O “Globo Notícia Américas” deste domingo, 15 de janeiro, traz uma análise da prévia republicana em New Hampshire e das que ainda estão por vir. Também preparamos uma reportagem sobre a cidade do Kansas que testou, esta semana, a obrigatoriedade da apresentação de identidade na hora de votar.

Vamos mostrar detalhes sobre uma outra lei que está dando o que falar. Ela obriga as empresas norte-americanas a destinarem uma sala para que as funcionárias possam amamentar.

O programa mostra ainda como vivem os haitianos, dois anos depois do terremoto que destruiu o país; os dez anos da prisão de Guantánamo; e uma cidade do Alasca que está isolada por causa da neve.

O “Globo Notícia Américas” vai ao ar neste domingo, 15, às 18h (horário de Nova York).

Abu Ghraib e Birmingham ainda estão aqui

A senhora que pendurou uma placa onde se lê “Whites Only” em uma piscina, em Ohio, afirma que se trata de uma peça histórica, por isso ela não precisa se desculpar ou retirar o objeto.

Ver um caso assustador como este na mesma semana em que soldados americanos urinam em cadáveres é ter certeza de que tem gente que só anda para trás. Lamentável.

 

Chegou a nossa vez

Fomos, por pelo menos quatro décadas, um país exportador de gente. Depois de séculos recebendo portugueses, africanos, holandeses, japonses, italianos, alemães, o Brasil passou a assistir ao fenômeno contrário. Nossos compatriotas buscando oportunidades além mar. Pode ter começado por influência de artistas e intelectuais que trouxeram imagens de um exílio desafiador, se impulsionado pelas novelas, virado realidade depois da década perdida. Onde e por que se formou a primeira grande onda de emigrantes, na primeira metade da década de 1980, ainda é motivo de controvérsia. O fato é que alguns poucos de nós construíram castelos, a maioria, uma vida digna, de classe média, e outros tantos penaram.

Agora a balança virou. Depois de sermos enxotados por britânicos e espanhóis, de ouvirmos de americanos que somos reponsáveis por ondas de desempregos, de trabalharmos sem 30 dias de férias ou vale refeição no Japão, voltamos a ser um país importador de gente. Nas últimas semanas, a chegada de haitianos a Brasiléia, no Acre, ganhou as manchetes de jornais brasileiros – em especial O Globo – e, seguidas vezes, do New York Times. Também deixou muitos brasileiros de cabelo em pé. Ouvi comentários preconceituosos que, poucos anos atrás, eram feitos a nosso respeito. Agora a bola está com a gente. Che facciamo, José?

O governo brasileiro deu um passo importante autorizando haitianos que estiverem em situação regular a levarem parentes para viver com eles. Cônguges, pais e filhos menores (ou solteiros com até 24 anos) estão liberados para entrar no país. A estimativa é que 4 mil hatianos tenham chegado ao Brasil nos últimos meses e outros 1,2 mil ainda estejam a caminho. Exigir a documentação dos imigrantes é correto. Mas contribuir para que eles consigam tê-la, é fundamental. O imigrante remodela a estrutura social do país. Fato. Mas a presença dele tende a enriquecê-la, e não o contrário.

Hoje, um editorial do Times abordava a necessidade de os Estados Unidos repensarem suas “políticas de imigração”. Dowell Myers sugere, aliás, que o país deixe de pensar por esse viés e adote “políticas para imigrantes”. Em vez de perguntar “onde estão os seus papeis”, que se pergunte “onde é sua aula de inglês?” Os americanos testemunham o processo oposto ao do Brasil. Pela primeira vez décadas, o país vê o índice de imigração chegar a zero. Ou seja, o número de pessoas que chegam ao país é mais ou menos equivalente ao de estrangeiros que abandonaram o sonho americano. É tolice pensar que isso trará mais empregos. Como mostra o editorial, o índice de latinos comprando casas cresce em uma proporção jamais vista entre os americanos. Espertos são os que abraçam as diferenças. Se não em nome da humanidade, que seja em nome do capitalismo.

Mais empregos para Obama

É claro que as disputas internas do Partido Republicano e o enfraquecimento do adversário de Obama, promovido pelos próprios “companheiros” durante as prévias, ajudam o presidente na corrida pela reeleição. Mas o maior empurrão que ele pode receber é o fortalecimento da economia americana, em especial, a queda do desemprego. Hoje a boa notícia chegou. O índice caiu para 8,5%, o menor dos últimos três anos.

O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos (algo equivalente ao nosso Ministério), informou hoje que 200 mil novos postos de emprego foram abertos no último mês. Se a gente pensar que na primeira reestruturação que Mitt Romney promoveu por sua empresa foram ceifadas 1,700 vagas, dá para perceber como os números são positivos. E para quem diz que Obama é socialista, vale lembrar que o saldo foi alcançado apesar de o serviço público ter perdido 12 mil trabalhadores. O setor privado somou 212 mil empregados. Floyd Norris, do The New York Times, avalia esse processo em um post publicado hoje.

Terça-feira tem mais uma etapa das prévias republicanas em New Hampshire. Desta vez, Romney deve ganhar de lavada. Na última pesquisa ele tinha 40% dos votos, contra 11% para Ron Paul. Hoje, em uma evento na Carolina do Sul, o mais provável adversário de Obama criticou o governo e disse que é hora de eleger um presidente que entenda de economia. Romney não mencionou os 200 mil novos postos de trabalho.

No Globo Notícia Américas deste domingo, preparamos uma reportagem sobre o que pensam os eleitores de Iowa, palco da primeira prévia republicana. A Segurança Nacional estava entre as principais preocupações. Ontem Obama anunciou uma revisão na estratégia militar americana. O que será que acharam esses mesmos eleitores? Entre os comentários no canal da Casa Branca no Youtube não encontrei ninguém de Iowa. Mas se eles pensam como a maioria dos que postaram por lá, a dor de cabeça de Obama talvez venha daí.

Globo Notícia Américas 08/01

Estamos de volta! No primeiro programa do ano, vamos mostrar, direto de Iowa, o que os principais candidatos republicanos pensam sobre imigração. E o que os eleitores do estado mais comentado da semana esperam do próximo presidente (ou do atual, em um segundo mandato…). Tem ainda o frio fora de época na Flórida, a luta dos bombeiros para conter incêndios no Chile e as dicas para quem quer adotar um animal de estimação. É importante pensar bem antes de levar um para casa, ou quem pagará o preço será o próprio bichinho…

No estúdio, a gente recebe o músico Pedro Moraes, que se apresenta segunda, no Le Poisson Rouge, em Nova York. Aliás, para quem estiver aqui, vale super a pena!

Para ver a chamada com os destaques clique aqui ou na foto ao lado.

Domingo a gente se encontra! Até lá!