De volta!

Depois de duas semanas de descanso, o blog volta às suas atividades mais animado que nunca. Para começar, aproveito para postar, com um certo atraso, a entrevista que fiz com o Tom Felton para a revista Mundo Estranho, publicada na edição de agosto. Conversamos aproveitando o lançamento do filme “Planeta dos Macacos: a origem“, que ainda não consegui ver. Se alguém tiver visto, por favor, conte o que achou!

Entrevista com o ator Tom Felton para a revista Mundo Estranho de agosto de 2011

Arte da rua. E na rua.

Saiu hoje uma reportagem no jornal O Globo sobre uma iniciativa dos jornalistas Andre Deak e Felipe Lavignatti, de São Paulo. Eles criaram uma espécie de google maps apontando pontos onde há obras de arte, nas ruas da grande cidade. São grandes intervenções de grafite, esculturas, murais ou obras arquitetônicas que muitas vezes, na bagunça do dia-a-dia, deixamos escapar.

Numa época em que a rua invade os museus e a arte invade as ruas, o site vem a calhar. Uma delícia! Para ver o site do Arte Fora do Museu, clique aqui.

 

 

Muita calma nessa hora…

Em 1939, quando a Segunda Guerra Mundial criou uma rotina de medo entre os britânicos, o governo imprimiu o poster com os dizerers “Keep Calm and Carry On” numa tentativa de levantar o moral dos ingleses. Não havia muitos, portanto, o cartaz era pouco conhecido. Até que em 2000, ele foi redescoberto por designers e se tornou uma febre.

Hoje a gente encontra a frase estampada em bolsas, camisetas e até em obras de arte. Eu particularmente, adoro a leitura da Maira Kalman. Estava em cartaz no Jewish Museum ao lado de outras obras delas. Para quem perdeu, tem uma reportagem que eu fiz para o jornal O Globo sobre a exposição. É só clicar aqui e caminhar um pouquinho para achar!

Navegando na internet achei um mais divertido que o outro, e resolvi junta-los aqui. Se você encontrar mais algum, por favor, mande para cá!

Um bom fim de semana a todos! E lembrem-se: qualquer coisa, keep calm and carry on!

 

 

 

 


De 2011 para 1920, de balsa

Eu adoro sair de Manhattan e me aventurar por outros boroughs, como já deve ter dado para perceber. Hoje, vou falar de um lugar que pertence à Manhattan mas, talvez por ficar fora da ilha, parece outra cidade. Em forma de sorvete de casquinha, Governors Island é a possibilidade de presenciar o nascimento de mais um ponto cultural novaiorquino.

O passeio vale a pena a qualquer hora. A balsa sai da estação em downtown, ao lado do ferry para Staten Island, e leva pouco mais de cinco minutos para chegar a esta preciosidade na Baía de Nova York. O lugar só fica aberto no verão, então é importante ficar atento aos horários de funcionamento, disponíveis no site. Já foi forte, sede do Exército e hoje abre para receber quem faz arte na cidade. Fui lá pela primeira em um fim de semana corriqueiro, onde pude ver diversas exposições e viajar para um outro tempo. Só havia malucos. Deve ser mais ou menos o que São Francisco era na década de 60. Todo mundo com cara de feliz, rebolando em bambolês, caminhando pelo gramado em roupas de Cleópatra, andando de bicicleta em vestidos rodados. A bicicleta, aliás, é de graça às sextas-feiras.

Mas se quiser ir conhecer o lugar em um fim de semana especial, aproveite o dos dias 28 e 29 de agosto. Uma amiga que sabe das coisas me avisou do repeteco do Hot Jazz Picnic. Eu fui ao mesmo evento no início de julho e valeu muito a pena. Não é todo dia que a gente ouve jazz dos anos 20 rodeado de pessoas que parecem ter saído da década perdida (a não ser pelas tatuagens e Blackberries).

Tirei uma porção de fotos do evento e montei um singelo álbum. Se quiser conferir como o passeio é bacana, é só clicar aqui!

A gentileza de Nova York

O transporte público é o resumo de uma sociedade. A cidade funciona ou não de acordo com a disponibilidade dele; as pessoas chegam aonde querem, quando querem, se ele quiser; as relações se desenvolvem por causa dele. E nele.

A foto aí do lado foi tirada no último fim de semana e mostra um pouco da beleza desta cidade. Quando vim morar em Nova York, um conhecido nuvem-negra me recomendou que colocasse a simpatia no bolso e encarasse a cidade com toda a agressividade que eu tivesse. Nova York, ele me explicou, era uma selva. Eu precisava reagir aos avanços dos brutamontes que viviam aqui com unhas e dentes. Logo que desembarquei, tive várias surpresas. Perdida na rua, era rapidamente abordada por pessoas querendo me ajudar. Os vizinhos me davam bom dia (isso é privilégio do Harlem, tenho que reconhecer) e em alguns estabelecimentos eu era muito bem tratada. Em outros, nem tanto, mas nada muito diferente de Copacabana ou da Vila Madalena.

Os amigos que vivem aqui dizem o mesmo. A cidade não é nada do que lhes haviam dito. As pessoas não são agressivas e, se forem, basta responder educadamente para deixar o malandro mau humorado de calças curtas. As pessoas ficaram mais gentis? Foi o 11 de setembro? Não sei. Sei apenas que quando passei pelo ônibus e vi, através do vidro este labrador lindo, o motorista fez questão de abrir a porta para eu conversar com o cão-guia. Feliz da vida, descolou um sorrisão e começou a elogiar o bichinho, o dia, a cidade.

Hoje, voltando para casa de metrô, conheci Cedric. Professor de música e gerente de um bar de tapas, em downtown, ele era a cara do escritor Teju Cole. Perguntei se era ele. “Não, não sou eu. Ms como é o nome dele? E do livro dele? Você recomenda?” A conversa, foi da 14th Street até a 110th. Rendeu algumas indicações de livros (eu falei de Museu da Inocência e ele de The Cloud Atlas) e um aperto de mão. Descobrimos que somos vizinhos e esperamos nos reencontrar em mais um metrô, qualquer dia. Pois é assim que se constrói uma cidade.

A estrela brasileira do Cosmos

Um dia passei no escritório correndo, já no fim da tarde, para buscar um livro que havia esquecido na mesa. Chegando lá, percebi a redação em polvorosa. Pelé estava gravando um quadro para o Fantástico. Desci e ele veio logo atrás, no elevador seguinte. Deu tempo de ver a reação dos funcionários do prédio. Todos correram, aos gritos. “É o Pelé! “. “Posso tirar uma foto sua?”. Quando o jogador sugeria que o fã se posicionasse ao lado dele, para também aparecer no retrato, parecia o prenúncio de um desmaio. O cara é ídolo por aqui como no Brasil. Ou até mais.

Nunca entendi muito bem essa reação em um país que não joga bola. No Central Park, começam a aparecer alguns campos de soccer, mas baseball, softball e futebol americano ainda reinam. Uma boa explicação veio no documentário “Once in a lifetime”, sobre o time de futebol Cosmos, aqui de Nova York. O filme é divertido, bem editado e cheio de lances geniais do maior jogador de todos os tempos. E ainda levanta questões que nos fazem acreditar ser possível o despertar da paixão pelo futebol nas bandas de cá. O trechinho abaixo, extraído do Youtube, mostra os primeiros minutos do filme. Já dá para ter um gostinho. E o melhor: está instantâneo no Netflix!

O Museu da Inocência

Se eu pudesse escolher um único livro para ler este ano, seria “O Museu da Inocência”. Mesmo sabendo que 2011 ainda está longe de acabar e muitas coisas incríveis podem aparecer nos próximos meses (principalmente quando se aproxima uma viagem ao Velho Continente), duvido que alguém consiga me presentear com tamanha beleza. Orhan Pamuk é um gênio.

Em suas 532 páginas que, juro, passam num instante, o livro nos guia por uma Istambul com cara de Constantinopla, ainda mais conservadora e bela. Passeamos por canções, filmes, paisagens, levados pelas coloridas e dolorosas palavras de Pamuk. Vivemos a história dos amores contrariados, com cheiro de amêndoas amargas. Sim, Pamuk me lembrou muito o meu favorito de Gabriel García Márquez, “O amor nos tempos do cólera”. O livro é tão sagrado para mim que nem tive coragem de ver a adaptação para o cinema. Não quero a casa de Juvenal Urbino retratada de um outro jeito que não seja o que minha cabeça ergueu. Nem Florentino Ariza com cara de Javier Bardem. Assim como, se houver uma adaptação de “O Museu da Inocência” jamais a verei.

O vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2006 narra a história de um amor obsessivo, intenso e, claro, impossível. Kemal está comprometido com Sibel, prestes a casar, quando reencontra Füsun, uma parente distante. Encantado, joga tudo para o alto em nome dessa paixão avassaladora. Vê sua vida de ponta cabeça. Dia após dia recolhe objetos que representem aquele sentimento. As roupas da amada, os frascos de perfume, os brincos, os cachorrinhos bubble head que decoravam a televisão da sala, os jogos da mesa de jantar. Tudo isso vfaria parte de um museu, na casa onde a família vivia. O livro fez tanto sucesso que o autor planeja abrir um museu, de verdade, em Istambul. Pelo que vi na internet, o espaço ainda não foi inaugurado.

Mais não conto para não estragar o final. Mas posso dizer que, não bastasse a história tão possível quanto fantasiosa, a obra é uma aula de literatura. Que venham “Snow” e “My name is Red”. Mas, honestamente, depois deste livro, acho que nem Pamuk consegue ser melhor que Pamuk.

Para se apaixonar de vez, uma conversa com o autor que encontrei no Youtube:

O fotógrafo da comédia humana

Foi com o título acima que saiu uma reportagem no jornal Valor Econômico de ontem sobre a exposição de Elliott Erwitt, em cartaz no ICP (International Center of Photography). Trata-se de uma belíssima reunião da obra deste que talvez seja um dos maiores fotógrafos da atualidade. Erwitt é debochado, engajado, divertido e profundo. Une todos os sentimentos possíveis numa longa sequência de retratos em branco-e-preto. Talvez sua obra mais famosa seja a foto ao lado, mas ele tem tantas outras que, se você não as conhece pela fotografia em si, reconhecerá de algum momento da sua vida.

Na reportagem, Erwitt se diz à procura da essência da comédia humana. Segundo ele, essa é a única coisa que merece ser registrada. E o que se vê na exposição é um pouco de cada um dos nossos momentos mais íntimos e comuns. O luto, a rotina, a luta. O amor pelos animais, pelo próximo, o ódio, a surpresa. Está tudo ali, em retratos que capturam a essência do ser.

Mas talvez o mais bonito na obra dele seja o desapego ao exclusivismo. Erwitt não quer ser único, inatingível, Abre mão desse status para se comunicar com o mundo. Seja você um grande conhecedor de arte ou alguém que engatinha quando o assunto é museu, a obra desse gênio o receberá de braços abertos. É aí que se percebe um grande artista. Não é aquele que usa o talento para excluir, para se diferenciar dos demais. É aquele que sabe que tem em mãos a mais poderosa ferramenta da democracia.

Chamada Globo Notícia Américas de 31/07/11

O próximo “Globo Notícia Américas”, exibido no domingo, 31, vai falar sobre a crise no mercado imobiliário norte-americano. A gente conta, ainda, que a onda de calor no país aumentou o preço de alimentos e que o governo do Canadá estuda tirar cidadania de imigrantes. E mais: como andam a alimentação e a educação nos Estados Unidos? Estes e outros destaques você vê no próximo “Globo Notícia Américas”.

O programa é às 19h30, no horário de Nova York.

Aretha Franklin em Jones Beach

Jones Beach é um lugar lindo, como vocês podem ver pela foto ao lado. Um belo dia, um senhor chamado Robert Moses, responsável, na minha humilde opinião, por boa parte da destruição urbana da América, teve uma ideia mais ou menos boa: fincar um palco no meio do oceano. Não houve um impacto na fauna ou flora locais. O lugar continua lindo. Os shows acontecem, literalmente a dois passos do paraíso. O único porém é que Moses adorava rodovias. O hobby dele era construir highways e obrigar os americanos a dirigirem automóveis.

Uma das maiores vantagens de viver em Nova York é não precisar de carro. Aqui a gente vai para qualquer lugar de metrô e ônibus, na maior rapidez e segurança. Nem preciso me repetir porque já fiz odes ao Metrocard. Só que para chegar a Jones Beach, a pouco mais de uma hora de Manhattan, precisamos pegar um trem na Penn Station, depois um ônibus até o Nokia at Jones Beach Theater. E o tal ônibus para de rodar às 8pm. Ou seja: na volta, você está ao Deus dará.

Com Aretha Franklin no palco, não consegui fazer como a maioria dos presentes e sair correndo para brigar por um táxi antes do bis. Terminar o jogo antes do apito final, aos 40 do segundo tempo, só se o Flamengo estiver levando uma sacolada do Olaria e eu, sentada na torcida inimiga. Ficamos até o final e ganhamos, de presente, o clássico “Respect”. Fiz um vídeo com “just a little bit” para vocês verem. Aliás, fiz dois. Tem também “Natural Woman”.

Aretha já nos havia dado um bolo quando ficou gravemente doente, no ano passado. Ela cancelou show que faria no Festival de Jazz de New Orleans. Na quarta-feira, compensou o furo. Mais magra, fez um show de quase duas horas com apenas uma música do novo álbum. O resto? Os maiores hits dela, que são, também, alguns do maiores hits da música americana. Fica aí um gostinho.

Ah! Amanhã, às 3pm, tem Awesome Tapes From Africa de graça, no Central Park.