Até quem já viu “O Lago dos Cisnes” vai se sentir em uma estreia com a montagem do American Ballet Theatre. É o mesmo cenário, o mesmo figurino, a mesma Met Opera e, claro, o mesmo Tchaikovsky de sempre. Mas quem for na próxima sexta-feira vai se deparar com uma bailarina única. Polina Semionova é tudo o que dizem e muito mais. Só vendo para acreditar que é possível. Eu vi hoje, do pior lugar (o único que ainda restava em uma noite sold out), e me emocionei. A dica é correr para conseguir ingresso e aproveitar as últimas chances de vê-la aqui em Nova York. A moça é russa e dança no balé e Berlim.
Arquivos Mensais:junho 2012
O sorriso de LeBron
Brasileiros morando nos Estados Unidos sabem que uma das maiores dificuldades é aceitar a ausência do futebol em nossas vidas. Na última Copa do Mundo, estávamos fazendo o Planeta Brasil na estrada. Rodando o país, percebemos que ninguém dava a mínima para o evento. Ver os jogos era uma epopeia. E sempre acabávamos em pubs, onde ingleses e irlandeses dividiam conosco a orfandade, a saudade, a paixão.
Com o tempo, a gente acaba se aventurando nos esportes dos americanos. Aprendemos as regras do baseball, escolhemos um time de futebol americano, nos adaptamos (ou, pelo menos, tentamos) à violência do hockey. Mas aqui em casa, basquete rules.
Acompanhamos todos os jogos da NBA este ano e, apesar da minha tendência a torcer para os underdogs (o Vitória Futebol Clube, ou Vitorinha é o meu clube de coração), este ano virei Miami Heat desde criancinha. Não por causa de Miami. Por causa de LeBron.
Injustiçado pela boca grande e o talento ainda maior, LeBron corria o risco de virar mais um pecho frío, o Messi do basquete. Um jogador incrível, mas que não entra para a história por não ter o título mais importante de seu esporte. Se tantos dizem que Messi afrouxa com a seleção Argentina, o mesmo acontecia com LeBron, quando chegavam os playoffs. Aí, o rei acabou virando o meu underdog.
Com a vitória assegurada, LeBron virou LeBron. A minutos do fim do jogo, o gigante de 2,03m comemorava como uma criança. Nada daquelas caras feias, de raiva, que a gente tanto vê em jogadores mais preocupados com o penteado que com a marcação. LeBron ria, pulava, abraçava longamente os adversários. Era o moleque no quintal de casa, o estudante do ensino médio, o violinista.
Graças a ele, hoje estamos órfãos novamente. Com saudades. Apaixonados. Mas pela NBA. Ainda bem que existe a Euro Copa.
Globo Notícia Américas – 24/06/12
Depois de anunciada a nova política de imigração de Barack Obama, que deve beneficiar cerca de 800 mil jovens,a agitação tomou conta da comunidade imigrante. E também as dúvidas.Para ver a chamada clique aqui ou na foto acima. O Globo Notícia Américas vai ao ar no domingo, logo depois do futebol. Até lá!
Globo Notícia Américas – 17/06
O “Globo Notícia Américas” deste domingo, 17 de junho, mostra o que de mais importante acontece nas Américas: o debate presidencial no México; o escândalo envolvendo o presidente do Paraguai Fernando Lugo e as discussões na Flórida sobre a lei “Stand Your Ground”, que defende o uso da força letal em casos de legítima defesa.
O programa comenta ainda sinais das mudanças climáticas pelo mundo; o protesto que levou dezenas de sacos de lixo para um banco na Califórnia e o espetáculo dos morcegos na cidade de Austin, no Texas, que abriga a maior colônia urbana do animal na América do Norte.
Mila Burns, apresentadora do “Globo Notícia Américas”, traz uma entrevista com a carioca radicada em Nova York, Cláudia Calirman, que acaba de lançar o livro sobre a arte brasileira no período da ditadura militar “Brazilian Art Under Dictatorship - Antonio Manuel, Artur Barrio, and Cildo Meireles”. O livro de Claudia, que é professora de História da Arte da Universidade John Jay College of Criminal Justice, analisa o trabalho dos três artistas brasileiros durante os anos de repressão no país.
O “Globo Notícia Américas” vai ao ar neste domingo, às 19h (horário de Nova York). Para ver a chamada clique aqui ou na foto acima.
A notícia que tanto esperamos
Desde que cheguei aos Estados Unidos, no calor da posse de Barack Obama, quase quatro anos atrás, espero dar uma notícia como esta. Hoje, o presidente dos Estados Unidos anunciou uma nova – e revolucionária – política de imigração. É praticamente igual ao DREAM Act, mas não depende da aprovação do senado. Já está em vigor, imediatamente. Agora, menores de 30 anos que entraram nos Estados Unidos de forma ilegal com menos de 16 anos, estão aqui há mais de cinco anos, e não têm antecedentes criminais não podem mais ser deportados. Eles também precisam estar estudando, ter completado a high school ou prestado serviço militar. É um belo drible nas inúmeras e mal sucedidas tentativas de aprovar o DREAM Act, embarreiradas pela falta de vontade política e o conservadorismo tacanho de certos grupos.
Depois da política que permite que indocumentados casados com cidadãos americanos aguardem aqui pelo green card, uma decisão como esta representa um enorme avanço não apenas para os jovens beneficiados, mas para o país. Os Estados Unidos, que ainda convalescem de uma das piores crises de sua história, têm 204 empresas fundadas por imigrantes entre as 500 maiores do país, segundo a revista Forbes.
A estimativa é que 800 mil pessoas sejam beneficiadas pela novidade. Mas, como disse, esse é o número de pessoas beneficiadas diretamente. O país inteiro ganha quando pessoas de bem, dedicadas e com potencial passam a ser tratadas como tal, e não como bandidos. Sim, a medida tem fundo político, já que Obama tem o apoio de nada menos de 61% dos latinos (contra apenas 27% para Mitt Romney) e muitos consideram que esse grupo vai decidir o apertado pleito deste ano. No entanto, o que fica é que Obama começa a cumprir algumas de suas promessas da primeira campanha. Pode ser tarde, mas, como retratado em uma matéria da New Yorker desta semana, talvez seja a imigração a maneira mais efetiva de Obama entrar para a história.
A medida de hoje muda a vida de dezenas de jovens que conheci ao longo desses quatro anos. Maicon, Kennedy, Andrea, uma série de pessoas promissoras que, como disse uma delas, vivem em uma “prisão sem paredes”. Lídia falou esta frase quando fiz minha primeira reportagem em solo americano. Um Planeta Brasil sobre a posse de Obama. Linda, dedicada, brilhante, determinada, ela adorava se enfiar nos museus da capital americana. É uma daquelas pessoas que a gente jamais esquece. Tanto que quando voltei a Washington, mais de um ano depois, fiz questão de ir visitá-la e ver como estava a vida. Lídia Maia, hoje pensei muito em você e em tanta gente que merece conquistar o sonho americano. Desejo a todas as Lídias do país vôos altos e muitas conquistas que, agora, só dependem de vocês.
Abaixo, achei no Youtube os vídeos do primeiro Planeta Brasil, a que me refiro. No segundo bloco, aparece Lídia.
Kehinde Wiley e o orgulho de ser
A primeira vez em que vi uma obra de Kehinde Wiley foi no Brooklyn Museum, uns três anos atrás. Era o quadro aí do lado, Napoleon Leading the Army Over the Alps, e ele ficava bem no lobby, visível antes mesmo de se comprar o bilhete. Foi uma surpresa. Era um homem negro, parecido com vários dos meus amigos, ou com vizinhos aqui do Harlem. Usava roupas e tênis bem ao estilo Jay Z, mas estava em uma pose clássica. Dominando seu cavalo. Depois que vim morar nesta área da cidade, os questionamentos sobre raça tomaram um novo significado. A história dos afro-americanos passou a ser um pouco minha também. Por isso a obra ganhou uma força que não sei se eu conheceria alguns anos atrás.
Tempos depois, conversando com uma amiga judia que me ensina um monte sobre um monte de coisas, ela me contou a história dos judeus etíopes. Os Beta Israel, como são conhecidos, somam mais de 120 mil pessoas e vivem em Israel desde meados dos anos 1980 quando, famintos, foram resgatados da Etiópia pelo governo israelense em operações conhecidas como Moisés, Sheba e, talvez a mais famosa, Salomão.
Uma exposição no Jewish Museum (só até dia 29 de julho) une essas duas histórias. Em The World Stage: Israel, Kehinde Wiley retrata representantes da comunidade Beta Israel, assim como outros negros e mestiços que vivem naquele país (fotos acima). Sua marca segue firme: uma mistura de presente e passado que traz uma série de referências históricas em uma única imagem, em um só rosto. O fundo, semelhante a tapetes e outros símbolos da região, dialoga com as figuras como se um fosse fruto do outro.
Wiley levou sua expedição a outros países. Retratou minorias raciais também na China, na Nigéria, no Brasil. É claro que em cada situação, o fundo, as expressões, as roupas, as cores mudam. Como mudam as bagagens culturais de cada indivíduo retratado. O vídeo abaixo (que também está na exposição) mostra um pouco da empreitada.
24 horas – L’express
Quando fui ao L’express pela primeira vez, logo que cheguei a Nova York, minha impressão não foi das melhores. O lugar estava lotado e tivemos que nos espremer em uma mesa pequenina. O hamburguer estava bem ok, fazia um frio danado do lado de fora e uma semana depois já nem me lembrava do nome. Só depois me dei conta de que, apesar de ter ido com minha querida cicerone nesta cidade, não era uma época muito bacana. E isso atrapalhou a experiência. Afinal, para comer bem, não basta o chef estar bem. Você também precisa estar de estômago e coração abertos.
Redescobri o L’express por causa do seu “irmão” aqui de Upper Manhattan, o Le Monde. Depois de me apaixonar por esse francesinho charmoso, percebi que sua versão downtown – 24 horas merecia uma segunda chance. Ele fica na 249 Park Ave. South e tem nada menos que cinco cardápios (sobremesa, café da manhã, brunch, jantar e “overnight”, para quem chega depois de meia noite). Tudo aqui é bom. A sopa de cebola ($6,25), a salada de queijo de cabra quente ($9,25), o hamburguer – que é bem mais que ok. As sobremesas também valem a pena, mas bom mesmo é o capuccino. Se o L’express for muito fora de mão para você, o Le Monde fica na Broadway quase na esquina com a 112th Street. Tem uma cardápio super parecido. Mas não é 24 horas. Não se pode ter tudo…
Made in Dagenham
Na semana em que a proposta de lei pela igualdade entre salários de homens e mulheres foi derrubada pelos senadores republicanos, vale a pena dar uma olhadinha no filme “Made in Dagenham“. Ele se passa no fim dos anos 1960, quando mulheres trabalhadoras de uma planta da Ford entraram em greve pedindo algo básico: direitos iguais. O filme não é extraordinário, como não deveria ser uma luta tão essencial. Mas mostra que a questão é antiga e, em muitos países, já teve solução. O Reino Unido tem uma “Equal Pay Bill” desde 1970. Aqui nos Estados Unidos, as mulheres ganham 77% do que recebem os homens. A lei não passou por pura pressão política. Em ano eleitoral, a proposta democrata foi massivamente derrotada pelos republicanos. Esse também vai ser um dos assuntos do Globo Notícia Américas deste domingo.
24 horas – Veselka
Depois de dois latinos, chegou a hora de um 24 horas diferente. Se é que se pode chamar de diferente um restaurante que está há 58 anos no mesmo lugar e já é a cara de Nova York. O Veselka serve comida ucraniana de um jeito bem novaiorquino. É despojado, mas caprichado. Fundado em 1954 por um imigrante ucraniano recém-chegado, Wolodymyr Darmochwal (pode ser mais ucraniano que isso?), ele foi se adaptando à nova casa e passou a incluir especialidades americanas no menu. Hoje, no East Village (144 2nd Ave, na esquina com a 9th Street), o cardápio é extenso: salada, hambúrguer e várias opções vegetarianas. É claro que a parte mais bacana é a de especialidades ucranianas, inclusive o bom e velho estrogonofe.
Bom, eu adoraria ficar aqui falando do cardápio, mas o que fazer se o meu favorito mesmo é a sobremesa? Depois de comer o cheesecake daqui, ou melhor, o Farmers Cheesecake Crock with warm berry compote ($8), sua vida jamais será a mesma. Quentinho, crocante, perfeito. A torta de chocolate (que aparece na foto, ao fundo), também é gostosa, mas perto do cheesecake, resta a ela um lugar bem diminuto no quadro. Na nova sede, na Bowery (9 E 1st Street), a gente encontra as mesmas coisas em uma espaço amplo e super charmoso. Para impressionar as visitas. E bem pertinho dali tem o New Museum. Minha recomendação é um passeio completo pela área, parando, ainda, nas várias galerias da região e na parte de cervejas do Whole Foods dali. Imperdível.
24 horas – La Esquina
No alto, um pé sujo dos brabos, com uma comida deliciosa. Na parte de baixo, um restaurante super fancy, com direito a noites de salsa e filas imensas. Se bem que a fila não é privilégio do andar inferior. A qualquer uma das 24 horas em que este charmoso cantinho fica aberto tem gente por lá. Seja pela badalação, seja pelos deliciosos tacos, vale a pena.
Os meus favoritos são aguacate con queso ($3,50) e acelgas ($3,25). Deu para ver que o preço é justo, né? Para os carnívoros são várias opções. Os corajosos costumam optar pelo de língua. O milho cozinho também é de comer de joelhos. E o melhor, meus amigos, fica aberto o dia inteirinho! O La Esquina fica no Soho, e os donos escolheram este nome porque “O entroncamento” seria feio demais. Fica no 114 Kenmare, bem naquele entroncamento com a Lafayette.




