Mais um para a lista!

Ontem um amigo postou no Facebook uma lista com 33 maneiras de se manter criativo. A primeira era: faça listas. Eu adoro. Não aquelas repletas de coisas já executadas. Gosto mesmo é de fazer listas de projetos. Lugares que quero visitar, amigos para quem preciso ligar, livros que quero ler… Minha agenda é uma imensidão de ideias e porfazeres. E essa última lista me tirou de vez a vergonha da mania estranha.

Pois eis que a Time Out desta semana nos presenteia com mais uma lista: os 100 melhores filmes de Nova York. Quem mora aqui certamente sabe do que eu estou falando. A gente entra numa obsessão louca para ver tudo o que já foi para as telonas tendo como cenário as paisagens daqui. Talvez seja uma tentativa de explicar por que a cidade nos é tão familiar, logo de cara. Talvez seja para justificar a sensação eterna de ser a pessoa mais sortuda do mundo apenas por viver nela. Ou simplesmente para brincar de descobrir que esquina no Upper West Side era aquela em que o Tom Hanks beijou a Meg Ryan. Sim, aposto que, como eu, você já se pegou tentando apontar onde fica o banco de “Manhattan” que dá vista para a Brooklyn Bridge. Ou em que rua da Little Italy acontece o tiroteio de “O Poderoso Chefão”.

Listar favoritos entre tantas maravilhas construídas nesta paisagem é difícil, será invariavelmente injusto, mas pode ser bem divertido. Eu fiquei feliz descobrindo, entre clássicos, alguns filmes que não vi. Ontem foi a vez de “Midnight Cowboy” (Jon Voight, Dustin Hoffman e… instantâneo no Netflix!). Só por ele, a lista já valeu a pena. E você? Qual o seu filme favorito rodado em Nova York? Vamos fazer mais uma lista?

Nelson Rodrigues sem sotaque

O centenário do mestre Nelson Rodrigues está próximo e as homenagens, pasmem, chegaram a Nova York. Os brasileiros do Group.br apresentam A Serpente, a última peça do autor, dos dias 12 a 15 de julho, no Teatro Latea. Se você está se questionando como os americanos reagirão à ideia, saiba que os atores fizeram a mesma pergunta. Aliás, eles foram para as ruas da cidade investigar o que os yankees sabem do nosso teatro. O vídeo abaixo traz a resposta, não muito surpreendente…

Para apresentar Rodrigues à plateia novaiorquina, o texto foi mantido em português. A escolha não podia ser melhor. Seria, no mínimo, esquisito ver uma ópera de Wagner traduzida para o português, né? A gente não aceita as legendas? Então, vamos preservar o nosso nordestino-carioca favorito do jeito que ele queria. Bora lá! E levem os amigos americanos. Afinal, casamentos problemáticos, amor e traição são universais.

PS: Domingo, no Globo Notícia Américas, tem uma entrevista com uma das atrizes, que conta mais sobre essa homenagem. É logo depois do futebol!

 

 

Guia de NY na Marie Claire

Amigos do Brasil, a edição de julho da Marie Claire traz um guia de compras de Nova York feito por mim. São dicas de lugares novos onde podemos encontrar roupas, produtos de beleza e decoração com a cara da cidade que dita a moda em todo o mundo. Quem conseguir, corra para as bancas e me conte depois o que achou! 🙂 Para ver mais detalhes clique aqui.

Dear friends, click here to check details of the NY guide I just wrote for the July issue of Marie Claire Brazil. New places to find décor, fashion and beauty products. I hope you like it!

Ode à gelada

Da série “só mesmo em Nova York”: está em cartaz uma exposição sobre a história da cerveja na cidade. No final, dentro do museu mesmo, o visitante pode participar de uma degustação das bebidas que acabou de conhecer. O programão é no New York Historical Society, um museu fundado em 1804 que atualmente é um dos mais modernos – e divertidos – do pedaço. Se for, guarde um tempinho para o vídeo (incluído no ingresso) exibido em telões high tech e narrando uma breve história da melhor cidade do mundo.

A exibição fica até o dia 02 de setembro e traz desde informações sobre a colheita do lúpulo até as estratégias usadas pelos novaiorquinos para burlar a lei seca. Aliás, eu deveria ter feito um post sobre Prohibition, o ótimo documentário de Ken Burns sobre o período, que está disponível no Netflix. Enquanto isso, lá no fim do post tem um pedacinho do segundo espisódio.

Voltando ao museu, os curadores reuniram objetos usados na produção da bebida, jingles de algumas das primeiras marcas (em um deles, o locutor pergunta a Nat King Cole qual a marca que ele está bebendo) e até o vestido da dona de uma das cervejarias. Não é nada grandioso, mas é um belo programa para uma tarde quente de verão. E, claro, vale um brinde no final, para comemorar o privilégio de viver em uma cidade assim.

One of a kind

Até quem já viu “O Lago dos Cisnes” vai se sentir em uma estreia com a montagem do American Ballet Theatre. É o mesmo cenário, o mesmo figurino, a mesma Met Opera e, claro, o mesmo Tchaikovsky de sempre. Mas quem for na próxima sexta-feira vai se deparar com uma bailarina única. Polina Semionova é tudo o que dizem e muito mais. Só vendo para acreditar que é possível. Eu vi hoje, do pior lugar (o único que ainda restava em uma noite sold out), e me emocionei. A dica é correr para conseguir ingresso e aproveitar as últimas chances de vê-la aqui em Nova York. A moça é russa e dança no balé e Berlim.

O sorriso de LeBron

Brasileiros morando nos Estados Unidos sabem que uma das maiores dificuldades é aceitar a ausência do futebol em nossas vidas. Na última Copa do Mundo, estávamos fazendo o Planeta Brasil na estrada. Rodando o país, percebemos que ninguém dava a mínima para o evento. Ver os jogos era uma epopeia. E sempre acabávamos em pubs, onde ingleses e irlandeses dividiam conosco a orfandade, a saudade, a paixão.

Com o tempo, a gente acaba se aventurando nos esportes dos americanos. Aprendemos as regras do baseball, escolhemos um time de futebol americano, nos adaptamos (ou, pelo menos, tentamos) à violência do hockey. Mas aqui em casa, basquete rules.
Acompanhamos todos os jogos da NBA este ano e, apesar da minha tendência a torcer para os underdogs (o Vitória Futebol Clube, ou Vitorinha é o meu clube de coração), este ano virei Miami Heat desde criancinha. Não por causa de Miami. Por causa de LeBron.

Injustiçado pela boca grande e o talento ainda maior, LeBron corria o risco de virar mais um pecho frío, o Messi do basquete. Um jogador incrível, mas que não entra para a história por não ter o título mais importante de seu esporte. Se tantos dizem que Messi afrouxa com a seleção Argentina, o mesmo acontecia com LeBron, quando chegavam os playoffs. Aí, o rei acabou virando o meu underdog.

Com a vitória assegurada, LeBron virou LeBron. A minutos do fim do jogo, o gigante de 2,03m comemorava como uma criança. Nada daquelas caras feias, de raiva, que a gente tanto vê em jogadores mais preocupados com o penteado que com a marcação. LeBron ria, pulava, abraçava longamente os adversários. Era o moleque no quintal de casa, o estudante do ensino médio, o violinista.

Graças a ele, hoje estamos órfãos novamente. Com saudades. Apaixonados. Mas pela NBA. Ainda bem que existe a Euro Copa.

Globo Notícia Américas – 24/06/12

Depois de anunciada a nova política de imigração de Barack Obama, que deve beneficiar cerca de 800 mil jovens,a agitação tomou conta da comunidade imigrante. E também as dúvidas.
Por isso, no Globo Notícia Américas deste domingo, a gente traz uma entrevista com a advogada Carla Galvão, que explica os detalhes da medida temporária. Além disso, vamos ver que, pela primeira vez, Mitt Romney falou sobre o assunto.
O jornal traz, ainda, uma reportagem de Giuliana Morrone sobre a greve que parou embaixada s econsulados brasileiros em todo o mundo. A uma semana das eleições no México, vamos mostrar ques três, dos quatro candidatos, participaram de um debate comandado por estudantes. Enrique Peña Nieto não quis participar.

Para ver a chamada clique aqui ou na foto acima. O Globo Notícia Américas vai ao ar no domingo, logo depois do futebol. Até lá!

 

Globo Notícia Américas – 17/06

O “Globo Notícia Américas” deste domingo, 17 de junho, mostra o que de mais importante acontece nas Américas: o debate presidencial no México; o escândalo envolvendo o presidente do Paraguai Fernando Lugo e as discussões na Flórida sobre a lei “Stand Your Ground”, que defende o uso da força letal em casos de legítima defesa.

O programa comenta ainda sinais das mudanças climáticas pelo mundo; o protesto que levou dezenas de sacos de lixo para um banco na Califórnia e o espetáculo dos morcegos na cidade de Austin, no Texas, que abriga a maior colônia urbana do animal na América do Norte.

Mila Burns, apresentadora do “Globo Notícia Américas”, traz uma entrevista com a carioca radicada em Nova York, Cláudia Calirman, que acaba de lançar o livro sobre a arte brasileira no período da ditadura militar “Brazilian Art Under Dictatorship –  Antonio Manuel, Artur Barrio, and Cildo Meireles”. O livro de  Claudia, que é professora de História da Arte da Universidade John Jay College of Criminal Justice, analisa o trabalho dos três artistas brasileiros durante os anos de repressão no país.

O “Globo Notícia Américas” vai ao ar neste domingo, às 19h (horário de Nova York). Para ver a chamada clique aqui ou na foto acima.

A notícia que tanto esperamos

Desde que cheguei aos Estados Unidos, no calor da posse de Barack Obama, quase quatro anos atrás, espero dar uma notícia como esta. Hoje, o presidente dos Estados Unidos anunciou uma nova – e revolucionária – política de imigração. É praticamente igual ao DREAM Act, mas não depende da aprovação do senado. Já está em vigor, imediatamente. Agora, menores de 30 anos que entraram nos Estados Unidos de forma ilegal com menos de 16 anos, estão aqui há mais de cinco anos, e não têm antecedentes criminais não podem mais ser deportados. Eles também precisam estar estudando, ter completado a high school ou prestado serviço militar. É um belo drible nas inúmeras e mal sucedidas tentativas de aprovar o DREAM Act, embarreiradas pela falta de vontade política e o conservadorismo tacanho de certos grupos.

Depois da política que permite que indocumentados casados com cidadãos americanos aguardem aqui pelo green card, uma decisão como esta representa um enorme avanço não apenas para os jovens beneficiados, mas para o país. Os Estados Unidos, que ainda convalescem de uma das piores crises de sua história, têm 204 empresas fundadas por imigrantes entre as 500 maiores do país, segundo a revista Forbes.

A estimativa é que 800 mil pessoas sejam beneficiadas pela novidade. Mas, como disse, esse é o número de pessoas beneficiadas diretamente. O país inteiro ganha quando pessoas de bem, dedicadas e com potencial passam a ser tratadas como tal, e não como bandidos. Sim, a medida tem fundo político, já que Obama tem o apoio de nada menos de 61% dos latinos (contra apenas 27% para Mitt Romney) e muitos consideram que esse grupo vai decidir o apertado pleito deste ano. No entanto, o que fica é que Obama começa a cumprir algumas de suas promessas da primeira campanha. Pode ser tarde, mas, como retratado em uma matéria da New Yorker desta semana, talvez seja a imigração a maneira mais efetiva de Obama entrar para a história.

A medida de hoje muda a vida de dezenas de jovens que conheci ao longo desses quatro anos. Maicon, Kennedy, Andrea, uma série de pessoas promissoras que, como disse uma delas, vivem em uma “prisão sem paredes”. Lídia falou esta frase quando fiz minha primeira reportagem em solo americano. Um Planeta Brasil sobre a posse de Obama. Linda, dedicada, brilhante, determinada, ela adorava se enfiar nos museus da capital americana. É uma daquelas pessoas que a gente jamais esquece. Tanto que quando voltei a Washington, mais de um ano depois, fiz questão de ir visitá-la e ver como estava a vida. Lídia Maia, hoje pensei muito em você e em tanta gente que merece conquistar o sonho americano. Desejo a todas as Lídias do país vôos altos e muitas conquistas que, agora, só dependem de vocês.

Abaixo, achei no Youtube os vídeos do primeiro Planeta Brasil, a que me refiro. No segundo bloco, aparece Lídia.

Kehinde Wiley e o orgulho de ser

A primeira vez em que vi uma obra de Kehinde Wiley foi no Brooklyn Museum, uns três anos atrás. Era o quadro aí do lado, Napoleon Leading the Army Over the Alps, e ele ficava bem no lobby, visível antes mesmo de se comprar o bilhete. Foi uma surpresa. Era um homem negro, parecido com vários dos meus amigos, ou com vizinhos aqui do Harlem. Usava roupas e tênis bem ao estilo Jay Z, mas estava em uma pose clássica. Dominando seu cavalo. Depois que vim morar nesta área da cidade, os questionamentos sobre raça tomaram um novo significado. A história dos afro-americanos passou a ser um pouco minha também. Por isso a obra ganhou uma força que não sei se eu conheceria alguns anos atrás.

Tempos depois, conversando com uma amiga judia que me ensina um monte sobre um monte de coisas, ela me contou a história dos judeus etíopes. Os Beta Israel, como são conhecidos, somam mais de 120 mil pessoas e vivem em Israel desde meados dos anos 1980 quando, famintos, foram resgatados da Etiópia pelo governo israelense em operações conhecidas como Moisés, Sheba e, talvez a mais famosa, Salomão.

Uma exposição no Jewish Museum (só até dia 29 de julho) une essas duas histórias. Em The World Stage: Israel, Kehinde Wiley retrata representantes da comunidade Beta Israel, assim como outros negros e mestiços que vivem naquele país (fotos acima). Sua marca segue firme: uma mistura de presente e passado que traz uma série de referências históricas em uma única imagem, em um só rosto. O fundo, semelhante a tapetes e outros símbolos da região, dialoga com as figuras como se um fosse fruto do outro.

Wiley levou sua expedição a outros países. Retratou minorias raciais também na China, na Nigéria, no Brasil. É claro que em cada situação, o fundo, as expressões, as roupas, as cores mudam. Como mudam as bagagens culturais de cada indivíduo retratado. O vídeo abaixo (que também está na exposição) mostra um pouco da empreitada.