Ontem à noite fomos jantar com um amigo querido. Voltando para casa, na esquina na 110th com a 8th Ave, em frente a uma lanchonete Subway, uma estação de metrô e um posto de gasolina, vi um roubo em Nova York. Já passava da 10 da noite, mas o lugar estava movimentado e várias pessoas viram a cena.
Quando cheguei, achei que o garoto, com um alicate maior que a roda da bicicleta, estivesse quebrando o próprio cadeado para levar a própria bicicleta. Foi super rápido, mas imaginei que ele tivesse saído à pressas, perdido a chave, sei lá. Até eu perceber que o amigo que o acompanhava olhava para os lados, em alerta. Peguei o telefone para chamar a polícia, ainda incerta sobre a propriedade da magrela. Em menos de dez segundos, o grupo arrancou dali, cada um na sua bicicleta, em direção ao oeste, pela mesma 110th.
Fiquei paralisada. Não consegui ligar para a polícia, chamar ajuda, fazer escândalo. Ficamos todos parados, sem entender direito o que havia acontecido. É claro que já havia visto outros crimes na minha vida. Eu mesma fui assaltada seis vezes. Mas nunca tinha testemunhado isso aqui em Nova York.
Sei que esse tipo de roubo é comum na cidade. Já foi até tema de ensaio no Sartorialist. Nova York é a campeã nacional no delito. Nos Estados Unidos, mais de 300 mil são furtadas todo ano, segundo o FBI. Reconheço que, de certa forma, tenho que seguir feliz por viver num lugar tão seguro, em que é muito, muito raro, haver um assalto à mão armada. Mas esse tipo de cena sempre é impactante. Depois, tudo parecia sombrio, perigoso, todo mundo na rua era suspeito. Fui dormir sem saber se poderia ter feito algo mais para salvar a bicicleta.


José Manuel Carreño e Julie Kent estavam no palco quando vi Giselle, cerca de um mês atrás. Adoro balé desde sempre e, onde quer que eu esteja, tento acompanhar o que está acontecendo no mundo da dança. Mas poucas vezes senti tamanha emoção em um espetáculo. Descobri o óbvio: uma coreografia executada pelos melhores bailarinos vira obra-prima.
Cerca de um ano e meio atrás (gente, como passa rápido) estávamos em Mesa, no Arizona, à procura de um brasileiro de 108 anos. Ele viu o Titanic afundar, testemunhou duas guerras mundiais e, nossa, quantas Copas do Mundo! Como eu, seu Bernando nasceu no Espírito Santo. Foi trazido para os Estados Unidos ainda criança. Com medo de que o filho fosse vítima de bullying (naquela época, certamente isso não existia, mas, vá lá), o pai dele preferiu não permitir que ele falasse português.






Este é um post sobre o filme “Nowhere Boy”. Só que antes de falar dele, preciso explicar como o DVD veio parar nas minhas mãos. Em Nova York existe uma instituição linda, em que a gente esbarra a cada esquina, e que põe abaixo qualquer desculpa para não ler.