Já sei que este será um dos posts menos populares da história dos posts. Mas tudo bem. Preciso falar sobre “Mistérios de Lisboa“, um dos meus novos filmes preferidos de todos os tempos. Posso dizer que ele teve em mim o mesmo efeito dos livros de Orhan Pamuk. Me despertou uma renovada paixão pela arte. Vejo filmes como se não houvesse amanhã, um atrás do outro, mas alguns dos mais recentes vinham me desanimando um bocado. Filmes de gente que eu adoro, como o último da Miranda July (The Future) ou o último do Herzog, que aliás, vi anteontem (Into the Abyss) são, no máximo, em um dia de extremo bom humor, regulares. Mistérios de Lisboa, não. É um filmaço.
A adaptação da obra de mesmo nome de Camilo Castelo Branco tem 4h26. Isso mesmo. Quase uma ópera de Wagner. Tem que querer muito ver. Eu sou do time que acha que, desde O Poderoso Chefão, nenhum filme deveria ter tido mais de 3 horas. Mas essa obra-prima de Raul Ruiz vale cada respiro, cada plano alongado. Originalmente feito para a televisão, era uma série de 6 capítulos de uma hora cada (seria obsessivo demais ver agora a série? hummmm…). É até difícil resumir a história. São tantos personagens com histórias fascinantes, que qualquer tentavia seria injusta. Mas como jornalistas são injustos e irresponsáveis por definição, vamos lá.
A história gira em torno de João (ou Pedro da Silva), que tenta descobrir quem são seus pais. A mãe é um condessa que teve um grande amor (que não é o conde). O pai foi perseguido e… Pronto. Já estou estragando a história. Bom, posso dizer que tem padre, monge, filhos bastardos, a realeza toda, bandidos, mocinhas, freiras e por aí vai. Claro, tudo regado a mistérios e àquele sotaque delicioso, como diz o nome. O cenário é esplendoroso, a direção impecável, os diálogos de chorar. E tcharam: instantâneo no Netflix.


















